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Novas aventuras em lo-fi #21

travolta

[este texto pode conter spoilers para aqueles que ainda não assistiram o filme “garota exemplar”. sério, pode mesmo. não é uma ameaça vazia. ainda que, num certo grau, todo texto pode conter spoiles pra “garota exemplar”, né? assim, falando em termos de possibilidades e tal]

Uma coisa que eu sempre gostei, desde moleque, é a chamada “música com historinha”. Sim, é bacana aquela canção num esquema mais lírico, é fera um verso mais livre, é bonito quando a coerência vai pro espaço e tão ali apenas umas palavras legais e a pessoa tá gritando que quando ela se sente metal pesado e mente e é fácil o tempo todo, mas um lado meu sempre admirou demais o esforço necessário pra contar, de maneira rimada, uma historinha, seja essa uma trama em que você descobre que o chico mineiro era [spoilers] seu legítimo irmão ou uma em que um bróder conta que ele conheceu a menina, escreveu o nome dela na mão, a chuva apagou como numa propaganda de corsa. Em suma, historinhas.

E de todas as músicas com historinha poucas até hoje me fascinaram mais do que “Escape”, ou “The Pina Colada Song”, do artista Rupert Holmes. Isso porque, ainda que à média distância ela possa parecer apenas uma canção setentista sobre drinks exóticos ela é, na verdade, uma das mais perturbadoras e tensas narrativas sobre infidelidade, crise nos relacionamentos e o fardo do eterno romance que o ocidente já chegou a produzir. Acompanhem comigo.

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Novas aventuras em lo-fi #17

12rowers_600

Como todos sabem, vivemos numa época marcada pelo duelo entre a globalização cultural, um processo de universalização que aproxima e mistura as mais variadas culturas, e o recrudescimento dos mais antigos conflitos e preconceitos. Temos acesso a diversas culturas com um clique do mouse mas estranhamos a pessoa com outro sotaque, podemos chegar ao outro lado do mundo em algumas horas mas temos medo que estrangeiros roubem nossos trabalhos, podemos graças a internet ter acesso a pornografia que envolve dois cavalos, uma freira e um anão fantasiado como Kim Jong Il transando numa banheira de iogurte vigor grego mas quebramos lâmpadas na cabeça de homossexuais nas ruas. São tempos esquisitos.

Exatamente por isso se torna importante, mais do que ressaltar as diferenças entre judeus e palestinos, católicos e protestantes, brancos e negros, buscar as semelhanças, as experiências comuns, aquelas coisas que ao invés de nos separar nos unem. E no caso dos héteros e dos homossexuais, um desses elementos, ainda que poucos reparem, é que quase todos nós, quando crianças ou adolescente, em alguma excursão do colégio, do curso de inglês ou do time de futebol, cantamos essa verdadeira epopeia musicada da descoberta do prazer da sodomia e da paixão homossexual chamada “rema, rema, remador”. Sim, rema, rema, remador. Venham comigo.

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