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Quatro inovações tecnológicas que mudaram nossa forma de ver a sociedade

Os anúncios pessoais do Orkut: Acho que nada, nem mesmo a possibilidade de bloquear as fotos, censurar scraps ou mesmo os intrigantes buddy pokes fez mais pela bizarrilização do Orkut do que a oportunidade recentemente oferecida aos usuários de colocar anúncios pessoais no canto direito da tela. Pensando com um técnico inglês da Google é claro que a idéia parece boa: vamos viabilizar para os usuários a possibilidade de divulgação e inserção de anúncios e eventos, tudo isso de forma ágil, prática e sem custos. Pensando como um usuário brasileiro do Orkut fica óbvio que qualquer coisa que for oferecida de forma fácil e sem custos vai resultar em pessoas sem muita coisa para fazer utilizando esse recurso para o mal. Daí para aquela imagem de um pé sujo com a legenda “saca soh q verrugaum!” no alto da sua tela é apenas um pulo.

O serviço de aviso de ligações perdidas via SMS: Poucas coisas são mais úteis para um usuário de telefone celular do que um serviço que o avise, via mensagem, das tentativas de chamada que ele não pôde atender enquanto estava com o telefone desligado ou fora de área. Sensacional, não? Boooa sacada! Mas a TIM achou que era pouco. Afinal, porque se limitar a informar apenas as chamadas perdidas quando o telefone não está disponível? Por que não (e nisso mora o brilhantismo da idéia) fazer isso com todas, hein? E desse conceito brilhante nasceu o fato de que meu telefone passa o dia inteiro ligado e dentro de área, mas sem tocar, até as 02:00 da manhã, quando sou inundado por uma série de mensagens registrando todas as chamadas que eu deveria ter recebido durante o dia se a TIM tivesse deixado. “TIM: telefonia celular para você que quer se desligar do mundo.”

O Gazzag: O Gazzag (atualmente reformulado e rebatizado como Octopop) foi o pioneiro de uma nova experiência na Web 2.0, as redes anti-sociais. Você se lembra de quantos convites para o Gazzag você recebeu? E se lembra de como você ignorou todos ou então fez um perfil e depois nunca mais entrou? Então, essa é a síntese do Gazzag, o fato de que eu não estou lá, você não está lá, seus amigos não estão lá, seus pais não estão lá, seus vizinhos não estão lá, a galera da facu/academia/futiba não está lá. Ou seja, sem quem for que estiver lá tem total e completa privacidade para fazer o que quiser. Pode colocar foto pelado, pode revelar segredos escusos na descrição do perfil, em suma, lá a pessoa pode realmente aproveitar a sensação de, mesmo dentro de uma rede social, se sentir tão solitário quanto o Will Smith em “Eu sou a lenda”, podendo inclusive falar sozinho ou coisas do tipo. “Gazzag: porque eu não gosto de vocês.”

Os status “ocupado”, “invisível” e “ausente” do MSN: Talvez ainda seja muito cedo para esse tipo de análise, mas pra mim é óbvia a relação entre o crescimento econômico do país nos últimos anos e o surgimento do MSN e de sua opção “ocupado”. Afinal, não sei se você concorda comigo, mas nunca nossos amigos e contatos fizeram tantas coisas. Quantas pessoas que você conhece não passam o dia inteiro, senão semanas ou meses ocupados? Sim, eles estão no messenger mas também estão construindo pontes, curando doenças, alimentando crianças na África e tentando achar uma fórmula que defina os números primos. E não tem hora nem lugar, as pessoas estão realmente ocupadas de manhã, de noite, de madrugada, aos sábados, domingos, segundas, o tempo todo. E ainda dizem que o jovem de hoje não tem nada pra fazer…(Já o status “invisível” serve basicamente para evitar pessoas; e o “ausente” serve para pessoas que, assim como eu, tem vergonha de mentir sobre estarem fazendo alguma coisa mas também não querem falar com todo mundo)

(E esse final de semana além do post tradicional aqui no Just Wrapped também temos uma participação minha no “Segunda a Sexta” como autor convidado, com um conto chamado “Horóscopo”. Para ler clique aqui. Ah, e obrigado Tiana pelo convite, pela boa vontade e pela carona aquele dia no vôlei. Valeu)

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Adendos ao pequeno dicionário pessoal de sensações esquisitas

Cena 1

Você vê no orkut o perfil de uma garota que você conheceu e ela parece sensacional. As comunidades certas, o senso de humor, a cultura geral, quadrinhos, filmes, bandas, tudo onde você gostaria que estivesse. Ela também é bastante atraente ou então tem uma enorme capacidade para manipular fotos no photoshop, o que, ok, não é a mesma coisa, mas é uma qualidade a se respeitar. E você fica durante uns dez minutos pensando que ela é o tipo de garota com quem realmente seria interessante ficar, exceto pelo fato de que ela mora, não sei, em Tegucigalpa e provavelmente tem um namorado chamado Bruce Leroy que é versado em alguma arte marcial legal e é pastor de lhamas part-time. Ou nessa parte você está apenas viajando, é possível, você faz essas coisas. Aí você interrompe esse pensamento e sai com seus amigos para uma festa onde você conversa durante meia hora com uma garota que comenta contigo que odeia filme legendado porque não gosta de ler e as letrinhas dão preguiça. E você pensa se não existe algum tipo de descompasso entre certos aspectos chave da sua vida. Mas aí começam os shots de tequila e bem, você sabe como essas coisas são.

Cena 2

Você está em casa e um amigo diz que tem uma idéia “show de bola” pra uma “balada”. Você, mesmo não gostando da palavra “balada”, porque te faz pensar numa noite inteira ouvindo canções lentas da Joni Mitchell, topa e vai, junto com outros amigos, depois de ouvir meia hora de conversa sobre como é perto, divertido, bem freqüentado e interessante. Dentro do táxi, lá pela hora em que o taxímetro marcava uns dezoito reais, as palavras utilizadas para descrever o lugar passam a ser “alternativo”, “hypado” e “aconchegante”. Quando o taxímetro está em vinte e poucos reais você começa a desconfiar que ou o lugar é longe ou o taxista não sabe como chegar, ou mesmo as duas coisas, como você passou a imaginar depois que ele tentou soltar você e seus amigos na frente de uma boate gay alegando que lá era o lugar que vocês tinham pedido.

E por fim vocês chegam, em uma rua esquisita, vazia, distante de tudo, diante de um prédio antigo com aparência de abandonado. Ao lado dele um botequim onde um velho usando um tapa-olho e uma camisa da campanha do Collor toma cachaça no gargalo enquanto faz carinho em um cão aparentemente morto. Do outro lado da pista um carro destruído, provavelmente incendiado. O único som na rua é o dos passos de um grupo de rapazes de boné com camisas de cantores de hip-hop, que parecem estar rodeando os seus colegas, já que vão e voltam toda hora.

Você começa a reparar nas pessoas que estão entrando na “balada” e em cinco minutos conta três anões, um cara com uma espada, dois homens levando um grande saco plástico preto de conteúdo duvidoso e uma mulher sendo empurrada numa cadeira de rodas, desacordada. Você olha para a rua e nota que o último táxi que passou por lá foi o seu e por sinal o motorista parecia bem preocupado, tanto que arrancou muito rápido com o carro e tinha até proposto que vocês não abrissem a porta e sim saíssem pulando pela janela pra que ele não precisasse parar. Você se vira para a funcionária da entrada e pergunta quanto é pra entrar, ao que ela responde, coçando a barba com o ganho que tem no lugar da mão, que é dez reais, mas só vão abrir em meia hora e você vai ter que esperar na rua até lá.

Em algum lugar da sua cabeça um dos seus neurônios respira fundo e diz para si mesmo “éééééééé…”

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Papai Noel, você rói unha?

011

E sim, com um atraso digno da minha reputação de pessoa atenta e focada no mundo ao meu redor, aqui estão os links para o download da edição de Natal do Farrazine, com direito a Star Wars (totalmente natalino), uma história inédita do Urubu (Batman, você perdeu, pede pra sair) e um dos meus melhores contos (em minha nada suspeita opinião), “Capa Dura”, com arte do Juliano Secolo, em cuja casa já mandei entregar ouro e incenso, porque afinal, como os caras do Monthy Python disseram em “A vida de Brian”, mirra não serve pra nada.

Farrazine no Rapidshare

Farrazine no 4Shared

Também foi (re)inaugurado o blog do Farratown, que hospeda as tirinhas do Farra, incluindo o Capitão Confiança, que em breve terá novas tiras no traço sempre “fandárdigo” do Mainardi.

E, claro, mais um contribuição para um orkut mais…bonito…

ze-mayer

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Sometimes I just don’t get you…

1)

Saiu isso aqui no site da Folha:

“Site de relacionamentos só aceita pessoas atraentes”

Me deixa ver se eu entendi…É um site de encontros pela internet destinado a pessoas bonitas, sexys e inteligentes, certo? E elas vão mandar fotos pro site, pra serem julgadas por outras pessoas bonitas, sexys e inteligentes e, se consideradas bonitas, sexys e inteligentes o bastante, as pessoas vão começar a se pegar entre si, é isso? Ok, e depois quando eu entro num banco pedindo um empréstimo de 300 mil reais pra abrir minha fábrica de camas de casal beliche para casais praticantes de swing o gerente ri da minha cara…

2)

Você pode se achar maduro, pode achar que está aprendendo sobre a vida, saindo do casulo, conhecendo gente nova e fazendo coisas interessantes. Mas aí você descobre que existe algo chamado “donkey punch” e percebe que ainda é apenas um garotinho perdido em um mundo imenso e desconhecido…(E admito que saber que existe uma parte da Wikipedia apenas pra falar sobre esses assuntos também não me ajudou muito…)

3)

Minha contribuição semanal para um “Orkut mais bonito”.

chora-cavaco

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Pelo Orkut

“Is she really going out with him?
Is she really gonna take him home tonight?
Is she really going out with him?
‘Cause if my eyes don’t deceive me,
There’s something going wrong around here”

Sugar Ray, “Is she really going out with him?”

Eu desconfio que eu nunca tinha entendido realmente as mudanças que a comunicação via internet trouxeram pra vida humana e como isso afetou as nossas relações interpessoais até domingo, por volta das duas e pouca da manhã. Não que eu não use o MSN (apesar de que…eu não uso mais…), ou não tenha estudado isso em várias aulas na faculdade, mas acho que nada havia me preparado pra isso. Sim, o inevitável aconteceu, como já deve ter dado pra perceber pela citação do tio Woody (quase um pressentimento): fui chutado via depoimento do orkut.

Não um chute no sentido clássico, já que não era um namoro. Foi mais um “olha, não rola mais” vindo de uma pessoa com quem eu fiquei (poucas vezes) e queria continuar ficando. Mas como dizia um amigo, o homem planeja e Deus ri. E te manda um “bwahahahahahah!” por scrap, no orkut.

Bem, ainda que esteja levemente chateado, tenho que admitir: é prático. Afinal, evita escândalos, não dá margem pra discussão (ok, você pode replicar, mas quem garante que ela vai ler, hein?) e evita um aumento na conta de telefone (essas discussões podem ser longas…). Claro, tem o lado ruim de ser meio impessoal, a complicação de que você pode estar numa sala com mais gente e o fato de que te pega meio de surpresa, por ser na página inicial (“olha, que legal, ela me escreveu um depoimento! Vamos ler…”sempre fomos amigos mas eu conheci alguém e…” é, acho que esse não vai dar pra aceitar…”). Mas eu acho que podia ser pior, afinal, existem os buddypokes. Caaaara, eu odeio buddypokes.

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