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Vietnã, 1968, visualizada mas não respondida

texting

justificativas aceitáveis pra que você tenha visualizado aquela mensagem e não respondido: estava ocupado; estava no trânsito; estava tendo um dia ruim; esqueceu; o 3g estava falhando; problemas no aplicativo; estava envolvido em uma partida especificamente competitiva de war e quando começou a digitar alguém gritou SEM CELULAR SEM CELULAR; achou que tinha mandado mas nunca tinha clicado enviar; “puuutz, eu queria responder mas aconteceu um negócio”; não pensou numa boa resposta na hora; estava tentando indicar de maneira sutil que não havia interesse em continuar a conversa sem necessariamente causar o pequeno drama de explicar isso com palavras achando que um gesto vagamente cruel mas direto poderia realizar essa função; “meu cachorro comeu meu celular”; estava com uma certa birra porque ela demorou demais na mensagem anterior.

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Novos adendos ao pequeno dicionário pessoal de sensações esquisitas

Cena 1

Você está conversando com a garota e está tudo bem. O papo fluindo, você tentando manter aquela coisa tarantinesca do “hysterically funny, but not funny-looking” e obtendo aquele nível moderado de sucesso até que em um dado momento você diz uma besteira. Você sabe que é uma besteira porque assim que você falou começou a bater um arrependimento, ela deu uma piscada assustada e em algum lugar na sua cabeça um neurônio deu um soco em outro e começou a gritar algo como “porque eu só trabalho com imbecis? por que?! poooor queeeeee?!”.

Então você, na intenção de corrigir a má impressão, tenta dizer qualquer outra coisa. E consegue piorar a situação, levando aquele mesmo neurônio a dar cabeçadas na membrana aracnóide e praguejar contra “o pior emprego do mundo, maldição!”. Daí você resolve partir pra metalinguagem e brincar que não é sempre tão idiota assim, o que claramente dá a impressão de que sim, você é sempre idiota desse jeito. E daí em diante você vai basicamente passar a noite toda tentando se corrigir e piorando a sua situação, numa imensa e interminável escalada de constrangimento, até que seus neurônios apenas desistam de você e decidam trabalhar por contra própria numa fórmula para definir números primos.

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Top 5 – Momentos broxantes do MSN

Então você conheceu uma garota e vocês ficaram. Boa, campeão, show de bola. Ou então não ficaram, mas por alguma dessas razões misteriosas ela disse que queria te conhecer melhor e, surpresa máxima, ela realmente queria e não estava dizendo aquilo apenas como um recurso pra não ter que chamar o segurança pra te bater. Trocaram telefones, ela te adicionou no orkut e, claro, rolou aquela troca básica de msns (já que ela não sabe usar o Gtalk) visando aquele papo maroto, malandro e cheio de “vcs”, “fds” e “vtnc”, em clima de total e completa azaração e peguitude (eu inventei essa palavra agora). Mas, como diriam os sábios Macacos do Ártico, “merda, choque, horror”, aquela garotinha linda, engraçada e charmosa do mundo real quando colocada diante de um teclado se transforma em uma criatura estranha, sinistra e assustadora, capaz de traumatizar usuários mais sensíveis da web e com quem você realmente só vai continuar conversando porque, tipo, deixar de falar com a menina porque ela é estranha no msn é meio gay…

O diálogo incompreensível: Você foi educado e alfabetizado em português, por ter nascido no Brasil, um dos países desse planeta que fazem uso da última flor do Lácio como língua pátria. Mas ela, ao que parece, não. Afinal, não dá pra entender nada do que ela está falando! O que você vê na tela é uma mistura de miguxês, abreviações, inglês arcaico, Klingon, ideogramas chineses e aquelas coisas que o bandido da luz vermelha dizia, tudo isso lançado sem nenhum critério perceptível e encadeado de uma forma que simplesmente escapa à sua compreensão, como bem exemplifica a clássica frase “qunnd vc tah pinsnado en vih busk cthulku hualalala dorgas ca mha irman?”.

O papo que não flui: Ela era toda animada, toda comunicativa, até aparecer no msn. Desde então ela passou a considerar que palavras são ouro e é tempo de uma forte política de retenção de custos que vai começar por você. Você puxa papo ela fica só no “oi”, você pergunta como as coisas estão e ela responde “bem”, você conversa sobre o que ela fez no dia e ela diz “nda”, você brinca que ela só usa monossílabos e ela retruca um “ok”. Aí você simplesmente desiste de puxar papo e uma semana depois ela aparece no msn e puxa papo com um “oi”, que você responde com um “oi, e aí? como estão as coisas?” e recebe em troca um “blz”. Pra algumas pessoas o msn simplesmente não funciona.

A pessoa sem senso de humor: Ok, de começo ela era meio séria. Ria pouco, tinha uma postura meio crítica com as coisas, resmungava de uma forma que você havia visto apenas quando seu avô quebrou a bacia, mas tudo bem, aquilo devia ser apenas um dia ruim, todo mundo tem alguns desses. Aí vocês foram conversar no msn e você notou que ela não ri. É, ela não ri. Não que risadas de msn sejam o ponto forte do seu dia, mas ela simplesmente é incapaz de esboçar qualquer reação ou comentário engraçado ou espirituoso, tudo com ela é sério feito a morte, os impostos e a vida pessoal da Adriane Gaslisteu. Nada de “hahaha”, “hihihihi”, “hashahsahshas”, “HuAHuaHua” ou mesmo um mísero “rs”. Ela é impermeável as suas piadas, intangível para o seu humor, inatingível para a sua espirituosidade. Em suma, ela é uma chata e você é um sem graça.

Os emoticons from hell: O emoticon, assim como o aborto, a existência de Deus, e a culpa pela morte da Gwen Stacy, é um desses assuntos que despertam paixões e opiniões fortes. Ou você ama ou você odeia os emoticons e após 10 segundos de conversa você notou que ela é uma Montecchio e você é um Capuletto. Se você prima por um diálogo limpo e os únicos emoticons do seu msn são aqueles smileys que já vieram configurados, ela parece estar escrevendo na fonte “Symbol”, já que pra toda e qualquer palavra existe uma representação gráfica colorida, saltitante e barulhenta, que transforma a sua tela em uma cartilha infantil virtual. Nunca uma mulher conseguiu te dar dor de cabeça de uma forma tão literal na sua vida. Literalmente falando.

A caixa alta: Como qualquer pessoa de bem (incluindo a Xuxa) sabe, a única pessoa que consegue parecer legal falando em caixa alta é o Sílvio Luiz e isso porque ele também é a única pessoa que consegue parecer legal narrando um jogo bêbado e comentando o preço do quilo de coxa de frango ao invés de falar do gol que acabou de acontecer. Em suma, existem coisas que apenas o Sílvio Luiz pode fazer e devemos entender e nos conformar com isso. Mas ela simplesmente é incapaz de aceitar o fato e faz com que pareça que você está no msn com sua mãe recebendo uma bronca por ter batido com o carro na cadeira de rodas da sua vó, que estava estacionada na sala.

Menção honrosa – O chat : Poucos momentos são mais enriquecedores e emocionantes na vida de um Don Juan virtual, um pegador 2.0, um Zé Mayer das interwebs, do que, assim que consegue o msn de seu alvo, ser logo no primeiro contato, lançado em um chat daqueles gigantes. Sabe aquela intimidade? Nada. Sabe aquela chance de colocar aquele papo maroto e caliente? Foi pra vala. Sabe aquela oportunidade pra elogiar engraçadinhamente (inventei essa também) a foto dela? Não vai existir. Sabe aquela deixa pra pedir pra ela fazer um strip na web-cam? Sério, cara, apenas tarados pedem isso, se acalma, campeão. Você foi lançado na vala comum dos outros 768 caras que tem o msn dela e ao invés de um papo legal visando um encontro legal e uma troca de saliva legal você conseguiu trocar impressões sobre a campanha do Vascão com pessoas que se identificam no msn como “Maitê_Patão”, “Biluzóio” e “Narega – Se Deus é por nóis quem cera contra nóis?”. Boooa, champs!

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