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Proposta de história do Aquaman

Capa para Aquaman pensada por mim e vetada pela DC Comics.

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Mini-Conto #1: “Bestiário”

bestiario

Existe o trânsito, certo? E existe o trabalho, e existem as horas extras, e existem os chefes irritantes que não te deixam pedir transferência mesmo quando está óbvio que você não está produzindo nada. E como eu disse, existe o trânsito, barulhento, os táxis que não param, o ônibus que você não conseguiu pegar e as vans que atrapalham tudo, sem falar nos caras malucos de moto. E existem os telefonemas incômodos, os trotes de madrugada, as falhas de comunicação, as zonas sem sinal, as contas. E existem os problemas de família, as broncas de pai, os pedidos da sua mãe pra que você leve um casaco, a sua irmã que arranhou seu CD do Smashing Pumpkins, o seu cachorro que sumiu e só apareceu dois dias depois.

Existe o seu professor de mestrado, a sua tese, a minha cara de quem não entendeu a sua tese, o seu time que perdeu ontem e a sua amiga que nem gosta de futebol (como se você gostasse) mas te ligou pra comentar. E existem os seus ex-namorados, as minhas ex-namoradas, aquela garçonete que mexeu comigo aquele dia (mas eu realmente juro que nunca tinha visto aquela garota antes), e todo o resto. Mas também existe o aquecimento global, a possibilidade de guerra nuclear, a Coréia do Norte, o Irã, o seu medo de asiáticos, o vulcão da Finlândia que pode atrapalhar as nossas férias, o meu chefe, que também pode atrapalhar as nossas férias (e que eu gostaria que estivesse dentro de um vulcão, possivelmente na Finlândia).

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Working class hero

Uma das grandes lacunas que eu acho que ficam na nossa formação e na nossa educação é que a gente nunca sabe muito bem que nível de satisfação esperar da idéia de trabalho. Trabalho é uma obrigação? Trabalho é um prazer? Trabalho é uma obrigação que a gente deve tornar prazerosa? Trabalho é um prazer remunerado? Prazer remunerado não faz soar parecido com prostituição? Complicado saber, ainda mais porque as referências, como tudo na vida adulta, não fazem muito sentido.

Afinal, você tem pessoas que fazem coisas que você só faria nos seus sonhos e que se portam com um ar blasé de quem está totalmente de saco cheio, o que te faz pensar que bem, certo estava o Seu Madruga ao dizer que não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar. Mas ao mesmo tempo você vê pessoas com trabalhos que você considera exaustivos e mal-remunerados, do tipo que você só pegaria em situações extremas, mas extremas mesmo, e que parecem transpirar felicidade lisérgica e animadona (estou olhando pra você, gari que samba sorrindo alucinadamente no carnaval e me faz sentir culpado por reclamar da vida) o que só serve pra te confundir em relação a natureza de um emprego.

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Batman, o maior detetive do mundo

Mais uma página recusada do meu primeiro projeto para o Batman.

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Por uma vida real com retcon

O post de hoje é sobre retcon. Bem, como muitos de vocês podem não gostar de quadrinhos tanto quanto eu (shame on you!) eu acho que vou precisar explicar o que é retcon. Retcon quer dizer, a grosso modo, “continuidade retroativa”. Sim, eu sei, vocês ficaram na mesma. Mas então vamos explicar com mais detalhes. Como todo mundo sabe* quando os dois principais super-heróis da Era de Ouro dos quadrinhos, Super-Homem e Batman foram criados, na década de 30, as histórias ainda tinham uma forte influência da “estética” pulp. Ou seja, o nível de violência e “marginalidade” das tramas era muito mais alto. Por isso podíamos ver cenas como o Batman atirando em criminosos ou o Super-Homem se omitindo diante da morte eminente de bandidos. Algumas décadas depois, principalmente nos anos 50, quando os super-heróis passaram a representar “truth, justice and american way”, tudo isso foi varrido pra debaixo do tapete. Sim, mesmo tendo sido publicado, mesmo tendo feito parte da cronologia oficial do herói, aqueles fatos passaram a ser ignorados, aquelas histórias passaram a não mais “existir”. Ou seja, a continuidade foi alterada, retroativamente! (eu ouvi alguém dizendo aleluia? ah, ok, foi só imaginação minha, tudo bem…)

E eu, pensando bastante sobre a vida, o universo e tudo mais, concluí que é errado que apenas o Batman, o Super-Homem, a Mulher-Maravilha e o Capitão Marvel tenham direito a jogar para baixo do tapete o fato de que, respectivamente, já dormiram na mesma cama que o Robin, tiveram um super-macaco de estimação, perdiam os poderes quando eram amarradas por um laço e dividiram seus poderes com um coelho. Sim, todo mundo deveria ter o direito de reescrever suas biografias, excluindo histórias ruins, edições fracas, participações especiais ridículas, mudanças de uniforme esdrúxulas e pares românticos nada abonadores. E eu decidi começar, para dar o bom exemplo. Aqui vai então uma lista de cinco retcons essenciais para que a minha história pessoal funcione melhor e seja mais agradável para futuros leitores, além de me envergonhar menos. Façam as suas próprias listas e ajudem nossos biógrafos a ter um material um pouquinho mais decente pra trabalhar.

  • Eu só namorei uma vez na vida. E foi aquele namoro da faculdade.

  • Do meio da oitava série até o final do primeiro ano eu fui substituído por um clone e nada daquilo que aconteceu foi feito por mim. Na verdade era um ciborgue, não um clone. Não, era um gêmeo maligno vindo do futuro. Ok, um clone-gêmeo-ciborgue maligno vindo do futuro. Iiiiisssso.

  • Eu nunca gostei de Limp Bizkit.

  • Eu nunca torci meu braço, quebrei meu relógio e perdi uma calça tentando pular carniça por cima do canteiro enquanto estava na faculdade.

  • Minha mãe nunca me achou na casa da família Deschamps deitado debaixo da cama, de cueca, e com um cigarro apagado na minha orelha. E claro, não havia nenhuma poça de vômito no local.

*Quando eu, falando sobre quadrinhos, usar a expressão “como todo mundo sabe”, ela deve ser lida como “como eu gostaria que todo mundo soubesse”.


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Manuela – Lançamento

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Uma daquelas frases clichês clássicas da humanidade é “escreva um livro, plante uma árvore, tenha um filho”. Eu admito que sempre cobrei um pouco mais de mim, afinal, além do livro eu sempre quis escrever um filme, compor uma música, escrever uma história em quadrinhos e ter dois filhos. O que, eu acho, é uma forma legal de compensar o fato de que eu provavelmente não vou plantar árvore nenhuma…

E após iniciar o meu projeto de banda, filmar meu segundo curta-metragem e estar quase terminando meu livro de contos, finalmente saiu a minha primeira história em quadrinhos, com roteiro escrito por mim, arte do lendário Dias, colorização do Snuck e do Dias e revisão por parte do Kio (“ooooo editoooooor”), chamada “Manuela”. Nascida da provocação de um amigo sobre eu só conseguir escrever histórias sobre super-heróis, Manuela é uma pequena história sobre a primeira garota de quem eu gostei na minha infância, a filha do cara que consertava a máquina de lavar da minha mãe. (Sim, éramos todos uns românticos antes de termos 8 anos de idade e ficarmos cínicos, eu sei…)

Para baixar clique aqui. Ou aqui. Ou aqui. Ou aqui. Ou aqui. Ou aqui. E também aqui. E aqui. Ou mesmo aqui. Ou seja, existe qualquer razão pra não baixar, menos a falta de links. Afinal, tem mais um link aqui. E outro aqui. E mais um aqui. E aqui. E aqui. E aqui também. E só mais um aqui. Ok, eu menti, tem outro aqui. E aqui. E aqui também. Ou seja, baixe isso logo. Clicando aqui, por exemplo.

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