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Sobre o porquê de eu não mencionar aqui no blog a minha opinião sobre o novo Homem-Aranha negro

Aviso: esse texto pode conter spoilers. Ou não. É um spoiler se eu avisar sobre os spoilers? Vamos refletir sobre isso.

Como vários de vocês devem ter ficado sabendo, seja pela mídia especializada, seja pelo twitter, seja por alguma matéria da Fox News dizendo que a Marvel é composta por um monte de judeus socialistas que querem destruir o ideal de vida americano, existe um novo Homem-Aranha nos quadrinhos e ele é negro. Na verdade latino afro-americano, se você quiser ser mais exato, e o nome dele é Miles Morales, um personagem ainda desconhecido e sobre o qual só vamos descobrir mais após o relançamento da revista do Homem-Aranha ultimate, o que deve acontecer nos próximos meses lá nos EUA.

Mas mesmo sendo o Homem-Aranha meu personagem preferido nos quadrinhos, o tema da representação racial nas HQs da Marvel e da DC um dos meus assuntos favoritos desde os tempos de faculdade e sendo eu um cara que segundo o censo faz parte de uma etnia minoritária (ainda que esquisitamente a moça do questionário parecesse mais interessada em levantar insinuações um tanto quanto levianas quanto ao fato de que eu divido apartamento com um outro homem que não tem laços de parentesco comigo) eu acabei, após uma profunda reflexão, decidindo que não, não vou tratar desse tema aqui no blog. Não porque eu não ache a discussão válida, não porque eu não tenha uma opinião intrincada, complexa, embasada e já devidamente formada sobre o tema, não porque eu não teria coragem de falar durante horas sobre coisas assim. Não, nada disso.

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Working class hero

Uma das grandes lacunas que eu acho que ficam na nossa formação e na nossa educação é que a gente nunca sabe muito bem que nível de satisfação esperar da idéia de trabalho. Trabalho é uma obrigação? Trabalho é um prazer? Trabalho é uma obrigação que a gente deve tornar prazerosa? Trabalho é um prazer remunerado? Prazer remunerado não faz soar parecido com prostituição? Complicado saber, ainda mais porque as referências, como tudo na vida adulta, não fazem muito sentido.

Afinal, você tem pessoas que fazem coisas que você só faria nos seus sonhos e que se portam com um ar blasé de quem está totalmente de saco cheio, o que te faz pensar que bem, certo estava o Seu Madruga ao dizer que não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar. Mas ao mesmo tempo você vê pessoas com trabalhos que você considera exaustivos e mal-remunerados, do tipo que você só pegaria em situações extremas, mas extremas mesmo, e que parecem transpirar felicidade lisérgica e animadona (estou olhando pra você, gari que samba sorrindo alucinadamente no carnaval e me faz sentir culpado por reclamar da vida) o que só serve pra te confundir em relação a natureza de um emprego.

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