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6 breves observações sobre o novo filme dos X-Men

“X-Men – First Class” é um filme bacana e divertido. O roteiro é bom, a trama flui de forma interessante, os atores se saem muito bem e a história consegue misturar ação, aventura e momentos que, sinceridade, me lembraram um bocado o seriado antigo do Batman, no bom sentido. Várias vezes falta um nível maior de desenvolvimento dos personagens e algumas coisas – como o “plano genial” do vilão – são apenas bobas e parecem ter sido imaginadas por um aluno repetente da sexta série, mas eles compensam tudo com um participações especiais, um ritmo bacana e um professor Xavier que bebe cerveja e tenta pegar as gatinhas com cantadas sobre mutação genética. Por sinal, nunca num filme de super-heróis se bebeu tanta cerveja, reparem.

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8 Tópicos aleatórios que substituem a minha resenha de Hot Tub Time Machine

Quando você traduz “The Hangover” como “Se beber não case” e logo depois traduz “Hot Tub Time Machine” como “A ressaca” você gera um tipo de paradoxo lingüístico de tradução que permite que, de uma certa forma estranha, “A banheira máquina do tempo” possa ser traduzida para o inglês como “If you drink, don’t marry” sem problemas.

O conceito de uma banheira de hotel que, quando quebrada, faz com que as pessoas viajem no tempo é uma daquelas idéias que te fazem soltar um “meu deus, por que eu não pensei nisso antes?” e logo depois um “porra, mas se eu tivesse pensado, o que eu faria com isso?”

Toda comédia, seja do tipo que for, desde romântica até dramática, deveria ter a obrigação contratual de contar com pelos menos um ator/atriz que participou de forma proeminente de um dos seguintes filmes: Evil Dead, Caça Fantasmas ou Férias Frustradas.

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Movie Review #8

Avatar

Cotação 6/8

Não sei se vocês ainda conseguem se lembrar, mas houve uma época em que nós praticamente só ficávamos sabendo da existência de um filme quando aparecia o cartaz no cinema, o trailer na TV ou o anúncio na revista. Nos sentávamos na sala escura munidos apenas de uma sinopse, a imagem de um pôster e uma vaga idéia do que poderia acontecer. Mas isso, como eu já disse, foi numa época distante, num mundo longínquo, no qual animais falavam (sem CGI), 90% dos filmes produzidos não eram seqüências e você não tinha que mostrar o seu exame do pezinho pra que aceitassem a sua carteirinha de estudante.

Isso porque hoje em dia é possível para o cinéfilo interessado acompanhar cada passo da produção. Você pode ler sobre a escolha do projeto, os autores do roteiro, o ritmo da produção, a escolha dos protagonistas, o tempo que falta pro término das filmagens. Você pode acompanhar o twitter do roteirista, o facebook do diretor, o videolog dos atores. E com isso você cria uma coisa que, pra mim, foi um dos grandes problemas de Avatar (sim, era disso que eu ia falar o tempo todo): a expectativa.

Porque todo esse acompanhamento, por mais que ajude na divulgação do filme e motive uma quantidade maior de pessoas a assisti-lo através da propaganda espontânea (eu, nerd cinéfilo fico ansioso e espalho essa ansiedade para as outras pessoas, nerds cinéfilos ou não) acaba aumentando de forma totalmente desproporcional a expectativa. Afinal, aquilo deixa de ser um filme no qual você investiu vinte reais e duas horas e se torna um evento pelo qual você esperou durante quatro anos, investiu dezenas de horas e acompanhou tal qual um filho. Ok, eu posso ter exagerado um bocado, mas vocês entenderam.

Não que eu tenha me empolgado tanto assim, claro. James Cameron é um bom diretor, sim, claro, por supuesto, mas não é um dos meus diretores favoritos. Titanic foi um dos filmes mais chatos que eu já vi na vida, por exemplo, e sempre que eu vejo o nome do Cameron associado a algo eu me preparo mais para um novo Titanic (uma trama boba e lenta com efeitos majestosos) do que para um novo Terminator 2 (trama massa véi com efeitos massa véi). Por isso eu fui para o cinema preparado para ver um filme legal, com bons efeitos, um 3D divertido e ponto final. Nada da experiência mágica, mudança de paradigma ou dessa onda “Avatar: when you see it you’ll shit bricks”, que tomou conta do mundo nerd.

E bem, Avatar me ofereceu o que eu esperava. A trama do soldado terrestre paraplégico que vai para o planeta Pandora para controlar um “avatar” e se infiltrar no planeta é simples, mas funciona. Não, não existem plot twists, grandes viradas ou momentos em que você não sabe o que vai acontecer (sério, se você achar alguma virada no roteiro anote e me conte), mas toda a trama é muito bem filmada, com bons atores e boa técnica. Os personagens são totalmente clichês, mas funcionam e você consegue se apegar a eles, pela forma como o roteiro trabalha a ação e os diálogos, ainda que em alguns momentos dê pra se ressentir de pelo menos um pouquinho menos de previsibilidade. Existe, claro, o sentido político do trama, forte e claro o bastante pra que você possa notar com quem o diretor quer falar, mas ainda assim capaz de provavelmente ser ignorado por boa parte da platéia.

Os efeitos especiais são, como dava pra imaginar, sensacionais. Cameron cria o mundo de Pandora com fauna, flora, luzes, efeitos, vida, e mostra que consegue criar um universo se tiver a quantidade certa de grana e já pode prestar concurso público pra Deus se a vaga aparecer. Um trabalho técnico irretocável. E claro, temos o 3D. Bem, não é tão impressionante quanto poderia (em algumas cenas você conta com o 3D, se prepara pra ele, mas ele é decepcionante…) mas ainda assim é bem interessante. Um dos problemas, como muitas pessoas comentaram é quanto as legendas, que parecem ficar boiando na sua cara e várias vezes ficam fora de foco ou tremidas, e tudo que eu posso dizer é que…bem, sim, elas boiam na sua cara, ficam fora de foco e tremem, mas isso ainda é melhor do que a dublagem, ainda mais porque o texto continua legível, só não fica tãããão legível quanto deveria…

No todo Avatar é uma boa diversão, um bom filme e uma forma de gastar suas horas e seus reais, ainda mais na versão em 3D com coisas que são jogadas em você (não, não dá pra simular isso numa sessão normal jogando coisas de verdade, sério). Com certeza não vai mudar a sua vida, mas vale a pena assistir,  se você conseguir deixar o hype em casa.

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Music Review #2

Weezer – Raditude

Cotação: Inaplicável

Bem, como eu sempre disse pra quem quisesse ouvir e nunca fiz questão de esconder, existem algumas definições bem claras na minha vida de quais são as minhas verdades imutáveis, eternas e que nunca irão nem passar perto de mudar. São coisas que me acompanham desde sempre e formam os cinco vértices da minha definição de quem eu sou. E uma dessas pontas é a certeza de que a melhor banda do universo se chama Weezer.

Por isso eu gostaria de deixar claro, assim como fiz na resenha de “Zack and Miri make a porno” que a avaliação feita aqui foge totalmente de qualquer critério racional ou analítico no sentido estrito da palavra e que a imparcialidade passou longe sem deixar recado ou mesmo uma mensagem offline no MSN. Ou seja, perguntar se esse cd é ruim é basicamente como perguntar se minha mãe é feia ou meu pai usa calcinha: não vai levar à nada além de brigas ou a algum tipo de diálogo constrangedor entre eu e meu pai. Dito isso vamos em frente analisando o disco faixa à faixa.

“Raditude” abre com “(If You’re Wondering If I Want You To) I Want You To”, primeiro single do disco e que até já tem clipe nas interwebs. É um pop rock “weezer style”, daqueles pra tocar em rádio e fazer a galerinha cantar junto em ritmo de azaração e descontração total. Na sequência vem “I’m your daddy”, outra canção que já nasce clássica, falando sobre aquele climinha de “vou conhecer a garota da minha vida nessa pista de dança”, o que seria realmente possível se alguém aqui soubesse dançar. Aí entra a faixa 3, “The girl got hot”, mais uma daquelas músicas que te fazem pensar que Rivers Cuomo anda saindo muito, provavelmente mais do que você e isso é preocupante. Então vem “Can’t Stop Partying” e você tem certeza que realmente alguém anda se divertindo e saindo com companhias erradas, fora que existe o choque de saber que Lil’ Wayne não é o filho do Batman, como você tinha pensado, e sim um rapper. E assim termina o que eu chamo de lado “solteirão nerd pegador” do CD, perfeito pra ouvir enquanto você se arruma pra sair numa sexta à noite ou enquanto você se arruma pra ficar em casa numa sexta à noite.

Na faixa 5 o Weezer traz à tona seu repertório de canções um pouco mais sentimentais, com “Put Me Back Together”, já citada aqui no blog como representante das súplicas de retorno de ex-namorada (além de uma das melhores do CD), algo parecido com a intenção de “Trippin’ Down the Freeway”, bem mais animadinha e um pouco mais preventiva: ao invés de pedir pra você voltar eu não vou deixar você terminar. “Love Is the Answer” é a prova de que até mesmo o Weezer pode errar e de que nada é tão complicado que uma cítara mal colocada não possa complicar mais, por isso pode ser legal pular para “Let It All Hang Out”, uma música de sábado à noite bem melhor do que qualquer coisa que o Black Eyed Peas jamais possa conseguir fazer, cheia de energia, vida, coragem, alegria e outras coisas que você teria que beber para conseguir. Na versão normal o disco iria então continuar com “In the mall”, um rock simples e sem grandes pretensões fechando com “”I Don’t Want to Let You Go”, a balada final do disco, outra bela canção sobre o porque de não ser legal você me chutar ainda mais agora…

Mas claro, existe a versão Deluxe, e nela existem mais 4 músicas: “Get me some”, uma das mais pesadas do disco, com os “instrumentos moendo” e uma letra que, vá lá, é rebelde sem deixar sua mãe preocupada; “Run Over by a Truck”, que te faz assobiar no metrô e ficar estalando os dedos; “The Prettiest Girl in the Whole Wide World”, uma música lentinha que já tinha saído no segundo disco solo do Rivers e “The Underdogs” , provavelmente o mais próximo de um “We’re the world” que o Weezer algum dia vai chegar.

Numa análise geral a banda basicamente oferece mais do mesmo com algumas boas variações, o que vai ser muito interessante se você for fã e não vai te impressionar taaaanto assim se você não for. Muito da vibração adolescente dos discos antigos e que estava ausente no “Red Album” retorna, assim como uma certa vocação para o pop rock com mais cara de “música pra tocar na rádio” (se as rádios fossem legais, coisa que não são). E não se deixe assustar por participações de rappers ou pelo cachorro na capa (mas tipo, se você se assustar com o cachorro você é meio hiper-sensível, eu acho): é apenas o bom e velho Weezer de sempre. E cara, é bom saber que algumas coisas não mudam tanto assim nesse mundo estranho, frio e cruel que existe aí fora.

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2008: O ano em que fizemos contato

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Como todo mundo sabe, 2007 foi uma droga. Sério, foi péssimo. Numa escala de ano ruim que fosse de 0 a 10, sendo 0 um ano muito bom e 10 um ano muito ruim, 2007 teria sido 18,45 e subindo. 2007 foi um desses anos em que eu fiquei feliz por não morar em Júpiter ou Saturno, porque isso faria o ano ser mais longo (além de que se eu morasse em Júpiter ou Saturno eu não iria conseguir respirar e meu corpo seria desintegrado pela densidade da atmosfera, mas isso só serviria pra tornar meu ano pior ainda, concordam?).

Mas já 2008 foi um ano diferente. Se 2007 foi o ano da derrota total, 2008 foi um ano de descobertas, tanto sobre mim quando sobre a minha forma de ver e me relacionar com o mundo. E, vale ressaltar, um ano em que consegui passar por profundos processos de mudança pessoal e auto-conhecimento sem virar gay, que é o que costuma acontecer com quase todo mundo que “se descobre” ou “aprende muito sobre si mesmo”, ou seja, eu realmente não me saí mal.

Em 2008 eu aprendi que não sou tão legal quanto eu achava e na verdade consigo ser até bem sacana de vez em quando; descobri que não existe revista em quadrinhos que não seja passível de download; descobri que sim, você é responsável pelo que cativa, então tente evitar isso de cativar as pessoas, sério; descobri que sexo casual é um dos poucos conceitos no universo que é tão divertido quanto parece; aprendi a andar de metrô em SP sozinho; aprendi a andar de ônibus no Rio sozinho (mas prefiro não abusar da sorte…); aprendi que eu demoro mais tempo pra esquecer as pessoas do que eu gostaria; que eu sou capaz de conseguir coisas que eu achava muito complicadas (o que não prova que eu seja melhor do que pensava, apenas prova que as coisas…não eram tão complicadas assim); que eu gosto mais de dinheiro do que eu imaginava; que eu não bebo mais como eu bebia antigamente; consegui ver uma história em quadrinhos minha desenhada e um conto meu publicado; voltei a jogar futebol society; fiquei com mais garotas do que jamais tinha ficado em um ano (contados os carnavais de Rio Branco); comi comida japonesa (e achei…besta…muito besta…); vi namoros terminando, começando, terminando de novo, começando de novo e terminando de vez; descobri que as decisões desastrosas que eu tomo na minha vida pessoal têm reflexos muito positivos na minha vida profissional e eu acho que a troca vale a pena; passei a ficar emocionado com propagandas da Petrobras; e claro, a mudança de vida mais importante de todas, passei a usar camisas pólo. Mas, claro, depois farei um post apenas pra falar sobre esse tema.

Em suma, foi um ano de aprendizado. Se 2007 foi o ano em que as coisas acabaram, 2008 foi o ano em que, ao que parece, foram lançadas as bases pra que 2009 as coisas finalmente recomecem. Ou não, eu não virei otimista esse ano, seria mudança demais pra apenas doze meses.

Playlist de 2008

I’m a realist – The Cribs

Do me a favour – Arctic Monkeys

Lover in the snow – Rivers Cuomo

Tought i knew – Weezer

Railroad – The Zutons

300 km/h – Autoramas

Dude (i totally miss you) – Tenacious D

Vanguart – Mallu Magalhães

Psicodelismo em Ipanema – João Penca e seus Miquinhos Amestrados

Estrelas – Ludov

Eu quero ser seu tamagotchi – Lucy and the Popsonics

Vem ni mim – Dado Dolabella

Wrapped around your finger – The Police

Anyone else but you – Michael Cera e Ellen Page

Robin Hood – The Rifles

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