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quatro ótimos filmes ruins para um 2012 que não quer acabar

JOSÉ-WILKER-e1304891177812prometheus – primeiro grande blockbuster a ser escrito dentro de uma lógica puramente infantil, na qual os eventos vão se encadeando sem motivações racionais ou conseqüências lógicas, com ações e repercussões que lembram vagamente um sprint de animação do chaves – “e aí tinha uma nave, e um robô, e um gigante, e o luther, e aí eles entravam nunca caverna e tinha um alien, e a mulher ficava grávida e aí sai um polvo de dentro dela e zaz, e vinha o quico e a charlize theron e a terraformação e a bola quadrada” – prometheus oferece muita ação, poucas justificativas, quase nenhum sentido aparente e nos ensina que é sim possível fazer uma profunda investigação filosófica sobre o sentido e origem da humanidade que envolve um xenobiólogo cuja primeira reação diante de uma forma de vida alienígena é chamar de bonitinha e tentar cutucar com o dedo, como todos nós aprendemos no colégio espacial.

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Arquivado em cinema, Movie Review

Precisamos falar sobre Ted

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Em primeiro lugar temos que lembrar que How I Met Your Mother é uma comédia romântica e comédias românticas, assim como tudo que envolve o romance, são fortemente baseadas num processo de idealização. Assim como a religião consiste em ordenar numa narrativa idealizada e coerente eventos que poderiam tranquilamente ser analisados de forma aleatória e desconexa (macacos, pessoas, vida pós-morte, barulhos estranhos na cozinha, histórias da sua avó sobre um cara cabeludo que andava na água) o romance também trabalha reorganizando de forma narrativa e mais socialmente aceitável eventos que poderiam ser calcados em diretrizes puramente biológicas ou randômicas (atração física, disponibilidade momentânea, consumo excessivo de álcool, tara patológica por pintinhas). Continuar lendo

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Movie Review #16 – “Os Muppets”

 

Uma coisa que fica cada vez mais clara é que vivemos na era do “humor de borda”. Sim, o humor que está tentando desafiar convenções, o humor que está lutando desesperadamente pra ser “inteligente”, o humor que quer se mostrar politizado, o humor que quer dar tapas de lado de mão na cara da sociedade, levar até seus máximos limites a discussão sobre responsabilidade jurídica e deixar a esquerda atônita, a direita confusa e os adolescentes de centro discutindo inconclusivamente no twitter.

E diante desse humor que tem os mais diversos objetivos e acaba várias vezes deixando de lado algumas das premissas básicas nas quais deveria se sustentar – ser engraçado, por exemplo – várias vezes a gente se pega sentindo falta do humor garoto, do humor moleque, do humor de pés descalços, mais ingênuo e infantil, que mais do que te fazer refletir sobre a humanidade, dissertar sobre a vida e a morte ou mesmo questionar os limites humanos do mau-gosto, tem apenas a intenção de te fazer rir, ter umas duas horas agradáveis e não precisar acompanhar o desenrolar de cada uma das piadas através das manchetes dos jornais. E é nessa categoria, praticamente esquecida, que se encontra o novo filme dos Muppets. Continuar lendo

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Movie Review #9, #10 e #11

#9: Modelos nada corretos (5/8) – Por mais que namoradas, colegas de faculdade e estudantes de cinema discordem, existe um óbvio valor intrínseco nas comédias americanas meio babacas que ainda precisa ser reconhecido. O drama de um soldado longe de seu lar, preso numa guerra que não compreende, pode te fazer refletir sobre a natureza humana? Claro. A superação de um casal de jovens que, contra tudo e contra todos, luta por seu amor pode nos inspirar e aquecer nossos corações nas noites solitárias movidas a brigadeiro cor de rosa? Aham, ok. O sofrimento de uma jovem mãe solteira e sem memórias do seu passado que luta para criar seus 17 filhos negros judeus árabes no sul dos Estados Unidos em pleno período da Grande Depressão sem ajuda, dinheiro ou amigos e tendo sempre que substituir o número quatro e seus múltiplos pela palavra “pim” quando fala, nos faz pensar em nossas dificuldades e em como certos roteiristas forçam a barra? Óbvio. Mas amigo, existem coisas que apenas Adam Sandler gritando com um taco de golfe ou Steve Carell sendo depilado podem fazer por você.

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