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Quando pequeno a gente sempre imagina como vai ser quando crescer. Pensa em como vai ficar, se vamos ser altos, se vamos continuar gordinhos, se vamos melhorar com as garotas, se vamos poder ter um cachorro, se vamos dormir depois das 22:00, se vamos parar de ter pesadelos depois de ver filmes de terror. Se vamos crescer pra ser astronautas, se vamos conseguir morar na beira da praia, se vamos continuar jogando futebol todo dia, se vamos ter os mesmos amigos, se a gagueira vai passar,se vamos poder beber mais de um yakult por vez. E projetamos coisas, e estipulamos algumas metas infantis, alguns objetivos de criança, e ficamos imaginando que é assim que a vida adulta deveria ser, dentro da nossa visão de garotinhos do que a vida adulta é e de como um adulto deve se comportar. Continuar lendo

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Movie Review #8 – “Os Mercenários”

O cinema é, se formos pensar bem, uma máquina de realizar sonhos. Assim como uma lâmpada mágica ou um anel de Lanterna Verde, ele tem a capacidade de permitir que vejamos diante de nossos olhos coisas que habitavam apenas as nossas imaginações, os cantos mais profundos das nossas mentes, e que nós possivelmente nunca enxergaríamos no mundo real. No cinema nós chegamos mais cedo à lua, no cinema nós fizemos contato com civilizações de outros planetas, no cinema nós descobrimos como seria a vida após a morte, no cinema nós vimos como seria Scarlett Johansson ruiva usando uma roupa de couro (e eu nunca poderei lhe agradecer o bastante por isso, Sr. John Favreau).

E se você foi um garoto na década de 80 possivelmente sempre imaginou que o filme de ação máximo, o auge do cinema cheio de som e de fúria, seria algo envolvendo Stallone, Schwarzenegger e Bruce Willis juntos. E haveria bombas, explosões, mortes, carne voando, piadinhas sendo lançadas e talvez, sim, talvez, um cara com uma roupa camuflada lançando um míssil com as próprias mãos. E se você era um desses garotos, meu amigo, eu posso dizer que, sem dúvidas, “Os Mercenários” realizou o seu sonho.

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Movie Review #8

Avatar

Cotação 6/8

Não sei se vocês ainda conseguem se lembrar, mas houve uma época em que nós praticamente só ficávamos sabendo da existência de um filme quando aparecia o cartaz no cinema, o trailer na TV ou o anúncio na revista. Nos sentávamos na sala escura munidos apenas de uma sinopse, a imagem de um pôster e uma vaga idéia do que poderia acontecer. Mas isso, como eu já disse, foi numa época distante, num mundo longínquo, no qual animais falavam (sem CGI), 90% dos filmes produzidos não eram seqüências e você não tinha que mostrar o seu exame do pezinho pra que aceitassem a sua carteirinha de estudante.

Isso porque hoje em dia é possível para o cinéfilo interessado acompanhar cada passo da produção. Você pode ler sobre a escolha do projeto, os autores do roteiro, o ritmo da produção, a escolha dos protagonistas, o tempo que falta pro término das filmagens. Você pode acompanhar o twitter do roteirista, o facebook do diretor, o videolog dos atores. E com isso você cria uma coisa que, pra mim, foi um dos grandes problemas de Avatar (sim, era disso que eu ia falar o tempo todo): a expectativa.

Porque todo esse acompanhamento, por mais que ajude na divulgação do filme e motive uma quantidade maior de pessoas a assisti-lo através da propaganda espontânea (eu, nerd cinéfilo fico ansioso e espalho essa ansiedade para as outras pessoas, nerds cinéfilos ou não) acaba aumentando de forma totalmente desproporcional a expectativa. Afinal, aquilo deixa de ser um filme no qual você investiu vinte reais e duas horas e se torna um evento pelo qual você esperou durante quatro anos, investiu dezenas de horas e acompanhou tal qual um filho. Ok, eu posso ter exagerado um bocado, mas vocês entenderam.

Não que eu tenha me empolgado tanto assim, claro. James Cameron é um bom diretor, sim, claro, por supuesto, mas não é um dos meus diretores favoritos. Titanic foi um dos filmes mais chatos que eu já vi na vida, por exemplo, e sempre que eu vejo o nome do Cameron associado a algo eu me preparo mais para um novo Titanic (uma trama boba e lenta com efeitos majestosos) do que para um novo Terminator 2 (trama massa véi com efeitos massa véi). Por isso eu fui para o cinema preparado para ver um filme legal, com bons efeitos, um 3D divertido e ponto final. Nada da experiência mágica, mudança de paradigma ou dessa onda “Avatar: when you see it you’ll shit bricks”, que tomou conta do mundo nerd.

E bem, Avatar me ofereceu o que eu esperava. A trama do soldado terrestre paraplégico que vai para o planeta Pandora para controlar um “avatar” e se infiltrar no planeta é simples, mas funciona. Não, não existem plot twists, grandes viradas ou momentos em que você não sabe o que vai acontecer (sério, se você achar alguma virada no roteiro anote e me conte), mas toda a trama é muito bem filmada, com bons atores e boa técnica. Os personagens são totalmente clichês, mas funcionam e você consegue se apegar a eles, pela forma como o roteiro trabalha a ação e os diálogos, ainda que em alguns momentos dê pra se ressentir de pelo menos um pouquinho menos de previsibilidade. Existe, claro, o sentido político do trama, forte e claro o bastante pra que você possa notar com quem o diretor quer falar, mas ainda assim capaz de provavelmente ser ignorado por boa parte da platéia.

Os efeitos especiais são, como dava pra imaginar, sensacionais. Cameron cria o mundo de Pandora com fauna, flora, luzes, efeitos, vida, e mostra que consegue criar um universo se tiver a quantidade certa de grana e já pode prestar concurso público pra Deus se a vaga aparecer. Um trabalho técnico irretocável. E claro, temos o 3D. Bem, não é tão impressionante quanto poderia (em algumas cenas você conta com o 3D, se prepara pra ele, mas ele é decepcionante…) mas ainda assim é bem interessante. Um dos problemas, como muitas pessoas comentaram é quanto as legendas, que parecem ficar boiando na sua cara e várias vezes ficam fora de foco ou tremidas, e tudo que eu posso dizer é que…bem, sim, elas boiam na sua cara, ficam fora de foco e tremem, mas isso ainda é melhor do que a dublagem, ainda mais porque o texto continua legível, só não fica tãããão legível quanto deveria…

No todo Avatar é uma boa diversão, um bom filme e uma forma de gastar suas horas e seus reais, ainda mais na versão em 3D com coisas que são jogadas em você (não, não dá pra simular isso numa sessão normal jogando coisas de verdade, sério). Com certeza não vai mudar a sua vida, mas vale a pena assistir,  se você conseguir deixar o hype em casa.

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Movie Review [Especial – FIC]

500 Dias com Ela

Cotação: 7/8

Tom: What happens when you fall in love?
Summer: You believe in that?
Tom: It’s love, it’s not Santa Claus.

O gênero da comédia romântica é, assim como as piadas envolvendo o time do Fluminense e as capas de Caras falando da vida pessoal da Adriane Galisteu, algo que parece já ter sido explorado até a exaustão. Garoto conhece garota, primeiro há um conflito inicial que os aproxima, depois existe a felicidade abobada, depois existe um segundo conflito que os separa e no final eles superam esse segundo conflito de forma impressionantemente fofa e ficam juntos num final feliz com alguma música bonitinha ao fundo, numa fórmula que vem sendo repetida e repetida, com poucas alterações, desde as comédias em preto e branco do tempo em que vovós não falavam sobre sexo em propagandas de chinelo. Por isso é tão interessante ver algum filme que consegue, não diria fugir desse “esquema”, mas trabalhar com ele e usar a linguagem própria das comédias românticas de forma criativa e inteligente. E “500 dias com ela” conseguiu fazer isso, com méritos.

Tudo começa com a sinopse que descreve o filme bem melhor do que eu posso conseguir: “Boy meets girl. Boy falls in love. Girl doesn’t”. O “garoto”, Tom Hansen (muito bem interpretado por Joseph Gordon-Levitt, o moleque etê de 3rd Rock), conhece a “garota”, Summer (Zooey Deschanel, se estabelecendo no papel de melhor mocinha linda/estranha do cinema atual) e fica apaixonado por ela, tendo seu coração partido quando ela termina o “caso” por não querer nada sério no relacionamento. O que vemos então é a jornada de Tom para esquecer aquele que ele considera o amor verdadeiro da sua vida, contado através de cenas que vão intercalando os momentos de vários dos 500 dias que se passaram desde que ele conheceu Summer até o desfecho do filme, num jogo de comparações e revisões sobre todas as fases do relacionamento. Mas o que vale no filme, tanto quanto a jornada do protagonista passando por todas as fases de uma relação, é a forma como o roteiro e o diretor nos guiam por esse caminho.

Marc Webb, diretor estreante e recém saído do mundo dos videoclipes (onde já dirigiu dois belos clipes do Weezer), conduz a jornada de Tom revisitando todas os clichês e metáforas da comédia romântica, com direito a toda a metalinguagem necessária pra uma obra que tanto analisa quanto homenageia o gênero. Vemos lá a felicidade do rapaz que conquista sua amada (traduzida numa cena musical genial e numa “participação especial” de Harrison Ford), vemos os momentos de alegria boba, intimidade dividida e romantismo quase constrangedor, mas também somos testemunhas dos pequenos percalços, das crises e do final angustiante da relação, tudo isso ambientado por uma cinegrafia inteligente, um roteiro muito bem amarrado e uma das melhores trilhas sonoras dos últimos anos (vale destacar o momento em que o protagonista ataca “There comes your man” do Pixies no karaokê, por exemplo), além de várias pequenas referências cinematográficas e de cultura pop que tornam o filme ainda mais interessante.

Mas o principal valor do filme é a capacidade de, mais do que revisitar os conceitos clássicos que formam uma comédia romântica, saber retratar esses conceitos com a dose necessária de autenticidade. A crença sorridentemente boboca do amor romântico permeia todo o filme? Claro que sim. Mas anda de mãos dadas com a idéia de que isso no final não faz sentido nenhum. E a trajetória de Tom acaba refletindo isso, esse conceito que foi descrito pelo diretor, logo antes do começo do filme, como “a colisão entre o que você espera da vida e o que você pode encontrar”. Ou, como o filme e muitas vezes o mundo real acabam mostrando, a colisão entre o amor que você espera e o amor que você consegue, e o seu caminho até conseguir encontrar um ponto em que o segundo seja o mais parecido possível com o primeiro.

*Se tiverem tempo procurem pelos outros pôsteres do filme, existem várias versões e são todas excelentes.

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Music Review #1

The Cardigans Acoustic

Gravado em 2006

Cotação 6/8

Existem discos que acabam ganhando uma função importante na vida de quem ouve. Discos que simbolizam momentos, que curam depressões, que te animam nos piores momentos. Mas esse definitivamente não é o caso do acústico do Cardigans, uma gravação que, pelo menos na minha opinião, foi feita apenas para tornar mais torturantes os momentos de fossa e levar pessoas mais mentalmente frágeis ao alcoolismo.

São apenas seis faixas, gravadas durante uma participação em um programa de rádio, mas que parecem ter sido pensadas e selecionadas com o claro intuito de me deixar profundamente deprimido, principalmente quando utilizadas no combo “comédia romântica boba/audição de CD do Cardigans/noite de sono pensando em como o dia de trabalho vai ser uma droga”, o que tornam o disco um sério candidato ao título de “o mais triste do mundo”.

Começamos com a faixa 1, uma introdução triste feita por um locutor que parece ter perdido a mulher para o melhor amigo exatamente naquela manhã. Ele apresenta a banda, num tom compungido, e então o grupo começa a segunda faixa, “And then you kissed”, sobre amores complicados, cruéis e cheios de sofrimento.

and it hit me that love is a game/like in war no one can be blamed/yes, it struck me that love is a sport/so i pushed you a little bit more”

Então vem “Erase and Rewind”, uma espécie de pedido de “volta pra mim”, cheio de arrpendimento. Você começa a achar que X&Y do Coldplay era uma trilha sonora de festa junina. Infantil.

A primeira metade termina com “You’re the storm”, a clássica canção de desistência, com aquela mensagem de “finge que eu sou Vladivostok e me invade com 6 exércitos.” Ou algo assim, eu sou péssimo com analogias.

“I’m an angel bored like hell/And you’re a devil meaning well/You steal my lines and you strike me down/Come raise your flag upon me/And if you want me, I’m your country/If you win me I’m forever, oh yeah”

A faixa 5 é uma faixa de entrevista, em que todos eles contam histórias tristes sobre a morte de pessoas próximas e discutem imagens de foquinhas e pingüins molhados de óleo. Ok, não é sobre isso que eles falam e sim sobre a carreira da banda, mas não é pelo tom de voz que você nota a diferença entre os assuntos…

Surge então um dos hits da banda, “For what is worth”, uma das músicas do meu top 100 das canções fofinhas/depressivas, com o clássico refrão “For what it’s worth, I love you/And what is worst, I really do”. Nesse momento você deve pedir pra que alguém de confiança esconda as facas e garfos. E também as colheres, se você for do tipo que come demais quando fica triste.

A faixa 7, “Communication”, que já é triste até pra quem não entende a letra ou não compreende o contexto (acho que pessoas surdas ficariam tristes apenas com as vibrações da música), ganhou um grau de tristeza toda especial pra mim após algumas experiências pessoais recentes. Parabéns pra mim, né? Uhu…

“And I saw you/But that’s not an invitation/That’s all I get/If this is communication/I disconnect/I’ve seen you, I know you/But I don’t know/How to connect, so I disconnect”

Então, como que numa tentativa de se redimir e reduzir as estatísticas de suicídio na área de cobertura da rádio, a banda fecha o mini-show com “My favourite game”, uma das mais animadinhas deles. Que ainda é bastante triste, se você for pensar…

Em suma, um CD perfeito pra momentos de fossa, tristeza, ou pra quando você precisa chorar no funeral de uma pessoa da qual você não gosta e está difícil encontrar motivação.

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Movie Review #3

O Incrível Hulk

Cotação 4,5/8

O primeiro filme do Hulk não era um “filme do Hulk”. Era um filme do Ang Lee sobre o Hulk, o que é uma coisa totalmente diferente. É como se chamássemos Quentin Tarantino para dirigir um filme do Justiceiro. Seria um baita filme? Provavelmente. Mas não seria um “filme do Justiceiro”, seria um filme do Tarantino. Ang Lee fez um filme sensível, criativo, reflexivo…e que era uma droga. Por isso a intenção da Marvel Studios com esse novo filme do Hulk era basicamente ignorar o filme anterior e começar novamente a franquia, do jeito que ela “deveria ser”.

A primeira escolha acertada foi a de Edward Norton. O ator não só encampou a produção, atuando, produzindo e reescrevendo o roteiro, como deu asas para toda a sua nerdice interior, se tornando Bruce Banner e ajudando a criar um filme baseado não só nos quadrinhos, mas principalmente na antiga série televisiva . Outra boa escolha foi a de Louis Leterrier, o diretor de “Carga Explosiva”, para comandar o filme. Isso garantiria menos sensibilidade e mais explosões, bombas, coisas voando, coisas explodindo e voando, e bombas voadoras explodindo. E o terceiro fator foi a intenção da Marvel de criar um universo coeso nos cinemas, unindo e vinculando as tramas de seus filmes, como ficou claro também no filme do Homem de Ferro.

Temos então um excelente filme? Menos, bem menos…O filme começa com Bruce Banner morando na Rocinha (?!) e trabalhando em uma fábrica de sucos (?!²) enquanto busca a cura para seu problema, um pequeno problema verdade chamado Hulk. Temos então uma breve recapitulação da história do Hulk, com sua origem ligada, assim como no primeiro filme, a um experimento bioquímico (e não atômico, como nos quadrinhos) e sem toda aquela história de pai cientista maluco e cachorros mutantes bizarros, e sua fuga ao redor do mundo desde então.

Porém, então, entretanto, um dia Bruce deixa cair uma gota de seu sangue em uma garrafa do suco (?!) produzido na fábrica onde trabalha como faxineiro-técnico eletricista (?!³) e isso é rapidamente (?!¹²) descoberto pelo General Ross, pai da ex-namorada de Bruce e responsável pela experiência na qual Bruce sofreu seu acidente. Começa então a caçada pelo cientista dentro da favela, capitaneada por Emil Blonski, um militar especialista em localizar pessoas, interpretado pelo sempre esquisito Tim Roth. Eles, é claro, tomam uma bifa, afinal, gringo subindo o morro acaba se dando mal com ou sem Hulk. Bruce se decide então a ir até os “US and A” em busca de mais dados para sua pesquisa por uma cura.

Chegando lá ele encontra não só os dados, como também sua ex, Betty Ross (aaaahhhh, Liv Tyler…Ahhhhhh….), e o novo namorado descartável dela, o psiquiatra Leonard Samson. Mas deixa pra lá, ninguém se importa com ele mesmo. A caçada se torna então mais intensa, principalmente quando uma versão do soro do supersoldado (sim, aquele que criou o Capitão América) modificada com radiação gama (sim, a radiação que ajudou a criar o Hulk) é injetada em Emil Blonski, que se torna o Abominável. Conseguirá Bruce Banner se livrar de sua maldição? Ele aprenderá a controlar o Hulk em prol de um bem maior? Usará Liv Tyler mais roupas com decote? Conseguirei eu uma garrafinha do suco feito pelo Dr. Banner?

O filme consegue manter um bom ritmo, com ação intensa e excelentes atuações, principalmente de Norton e Roth, mas fica claro, em vários momentos, que o plano do roteirista e do diretor era um filme maior, que faltam algumas peças, que alguma coisa na montagem não saiu exatamente como se esperava. Empolga? Sim, mas não tanto quanto poderia, ainda que seja bem melhor do que muitos de nós esperávamos que fosse. Mas pavimentou o caminho para o início de uma franquia que pode se desenvolver com sucesso. E pelo menos nesse filme “Hulk Esmaga!”, o que é um ótimo começo. Mas continuo esperando o filme do Homem-Formiga…

P.S: Muito boa a aparição de Tony Stark ao final do filme, oferecendo uma solução para o “problema Hulk”. Cada vez fica mais claro que teremos um sensacional filme dos Vingadores por aí, além da certeza de que Robert Downey Jr. conseguiu empatar com Cristian Bale na lista dos caras fodões dos filmes baseados em quadrinhos. Até, é claro, sair “Watchmen”. In Homem-Coruja I trust!

P.S.2: Sempre comovente a forma como o exército americano é retratado, assim como seu respeito pelos direitos civis. Afinal, eles invadem território estrangeiro dando tiros como se distribuíssem doces, levam tanques de guerra e armas sônicas para um campus universitário, e pra colocar a cerejinha no bolo, destroem Nova York (na verdade o Harlem) sem pensar duas vezes, com direito a mísseis em prédio aparentemente abandonados (mas aparências enganam, eu sei) e coisas do tipo. É aquela coisa “Join the army. Meet interesting people. Kill them.”, como diria o Steven Wright.

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Movie Review #1

Big Nothing/Numb

Cotação 5/8

Eu gostaria de assumir abertamente, antes da resenha “combo” dos filmes “Numb” e “Big Nothing”, que sempre fui um fã declarado de “Friends” e especificamente admirador do trabalho do Matthew Perry. Na verdade, eu comecei a gostar mais dele depois de “Studio 60”, mas em “Friends” ele era bem legal. E nem falo isso pela minha identificação com o Chandler, mas sim porque eu realmente acho o cara um bom ator (dentro das limitações dele). Mas bem, vamos as razões pelas quais eu resolvi resenhar os dois filmes no mesmo texto: além da semelhança temática que em breve vai ficar clara pra vocês, existe o fato dos dois serem protagonizados por ex-Friends (Matthew Perry em Numb e David Schwimmer em Big Nothing), além de tratarem de pessoas com distúrbios mentais de algum tipo.

Em “Big Nothing” Schwimmer é um escritor frustrado que se vê obrigado a trabalhar numa empresa de telemarketing para sustentar a família (caaaara, isso me lembra alguém…) e lá conhece um outro atendente, vivido pelo sempre campeão Simon Pegg (de “Shaun of the Dead”). O personagem de Schwimmer é rapidamente demitido e então convencido pelo novo amigo a entrar em um golpe envolvendo chantagear pessoas da cidade usando os dados obtidos no sistema da sua ex-empresa, com a ajuda de uma ex-miss e ex-namorada do colega de golpe. Tudo daria muito certo não fosse: a)o personagem de Schwimmer ser casado com a xerife da cidade; b)nenhum dos parceiros dele ser o que parece; c)ele não ter a mínima aptidão para o crime.

A história se desenvolve com algumas reviravoltas bem pensadas, como o problema de memória do protagonista que o faz repetir estatísticas e dados numéricos para tentar manter um controle da memória e o agente do FBI que chega à cidade para ajudar nas buscas. Um filme barato, sem grandes refinamentos técnicos e com atuações honestas dos atores principais, mas que conta uma história interessante e consegue deslanchar uma trama “criminosa” envolvendo pessoas comuns sem soar idiota.

Já “Numb” tira o distúrbio psicológico do protagonista da área periférica da trama para jogá-lo no centro da história. Matthew Perry é Hudson Milbank, um roteirista que após fumar mais maconha do que deveria acaba sofrendo de um distúrbio de “despersonalização”, ou seja, tendo dificuldades não só para perceber a realidade como também para se vincular com ela. O filme mostra basicamente o seu esforço para voltar a perceber o mundo real da forma correta e tentar novamente se vincular com ele. Entre drogas, terapias, problemas familiares e relacionamentos não-profissionais com psiquiatras, o filme transita entre a comédia, o romance (Lynn Collins é, pelo menos pra mim, uma revelação como mocinha cabeçuda de comédia romântica) e o drama.

Ainda que em alguns momentos acabe se tornando meio piegas, como nos momentos familiares de Hudson (naquela velha tática de culpar a família por qualquer problema que qualquer pessoa tenha), o roteiro é muito bem escrito e os coadjuvantes dão o apoio necessário para uma atuação segura de Perry, que consegue carregar bem o peso do papel principal. Um bom filme, mas que definitivamente José Wilker não iria achar uma gracinha.

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Book Review #1

Johnny Vai à Guerra

Dalton Trumbo

Publicado originalmente em 1939

Cotação: 6/8

A vantagem de se escrever um livro sobre os problemas da guerra é que dificilmente você vai ficar anacrônico ou datado. Afinal, junto com os polegares opositores, os iogurtes reguladores de intestino e o orgasmo simulado, o conflito armado sem razões lógicas é uma das coisas que diferencia a humanidade do resto dos habitantes do planeta. E “Johnny got his gun”, escrito pelo norte-americano Dalton Trumbo em 1938 e publicado em 3 de dezembro de 39 (dois dias depois da guerra realmente começar para os americanos) é, mais do que um livro sobre a guerra (ou como classifica a própria editora, sobre “pacifismo”) um livro sobre deixar que cada um de nós tome suas próprias decisões e defina o rumo de sua vida.

O livro conta a história de Joe Bonham, um jovem norte-americano do interior convocado para lutar na Primeiro Guerra Mundial e gravemente ferido em uma das ações de seu pelotão. Por gravemente ferido leia-se: totalmente amputado em relação a braços e pernas, sem audição, sem boca, sem rosto, sem olhos e tendo que ser alimentado por um tubo. É, esse não é um livro alegre, se você chegou a pensar nisso.

A história começa com Joe voltando a consciência em um hospital, sem lembranças nítidas do que aconteceu, se recordando de momentos desconexos da sua vida. O que seguimos deste momento em diante é o protagonista percebendo passo a passo todas as mutilações que sofreu, sentindo cada pedaço de si e de sua vida sendo perdido, assim como seus sonhos e projetos para o futuro, ao mesmo tempo que recorda de momentos importantes do seu passado.

Trumbo constrói (e reconstrói) esses momentos de perda da forma mais dolorosa possível, intercalando recordações doces como uma noite com a namorada, uma lembrança de felicidade num jantar de família, com a percepção da perda de uma perna e da impossibilidade de algum dia falar novamente. Vemos a luta de Joe para conseguir coisas simples como marcar o tempo ou tentar se comunicar com o mundo exterior, enquanto reflete sobre o próprio estado e tenta saber se está realmente consciente ou não (pense em como seria complicado apreender a realidade sem boa parte dos seus sentidos.)

O autor se concentra menos em descrever como a guerra é terrível e se foca mais nas perdas que ela causa. Isso fica claro pela quase ausência de “cenas de guerra” propriamente ditas, descrições de campo de batalha, missões e outros desses momentos comuns em livros sobre conflitos armados.E essa estratégia funciona, tanto que as reflexões de Joe, os resultados que a guerra causa nele, cada momento de perda e cada percepção de sofrimento e derrota, causa mais choque do que qualquer descrição de granadas explodindo ou tiros de metralhadora, porque afeta o leitor em qualquer situação. Você pode nunca ir a uma guerra, nunca nem passar perto de uma, mas ainda assim a idéia de uma mutilação ainda pode povoar seus pesadelos.

A mensagem principal, mais do que pacifista, se refere ao direito de cada um de definir seus objetivos, de decidir se e pelo que lutar. O problema talvez não seja a guerra, o conflito em si, mas o poder que permite a outros decidir quem luta pelo que, usando vidas como fantoches e mandando para o front pessoas que vão morrer por conceitos abstratos usados como bandeira para interesses políticos e financeiros. Ou seja, nada parecido com qualquer coisa que possamos ver hoje em termos de política internacional.

O livro segue, apesar de seus quase 70 anos de idade, como uma boa obra para qualquer um que deseja compreender os horrores da guerra e a crueldade de mandar jovens para o campo de batalha. Ou apenas deseja arrumar uma boa desculpa pra não se alistar. Excelente livro, ainda que pouco divulgado no Brasil (sua segunda edição nacional foi lançada em 2003), “Johnny vai à Guerra” é definitivamente um livro a ser lido. Mas não antes de embarcar naquela missão para a África, claro.

Em outras mídias:

– “Johnny vai à Guerra” já teve duas adaptações cinematográficas, uma em 1971, dirigida pelo próprio Trumbo e outra em 2008. Que evidentemente não foi dirigida pelo próprio autor. O protagonista dessa nova versão é Benjamin Mckenzie, o Ryan da finada série “O.C.”

– Em 1940 o livro foi adaptado pela rádio NBC com produção e direção de Arch Oboler. James Cagney fez a voz de Joe.

– O livro também foi adaptado para o teatro e vem sendo representado desde 1982, tendo Jeff Daniels como um dos atores que já interpretaram o papel principal.

– No clipe de “One” do Metallica, são usadas cenas da versão de 1971 do filme

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