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Problemas práticos do romantismo teórico – XXI

Uma coisa que eu ouço com bastante freqüência é que hoje em dia as pessoas terminam com muita facilidade. Ao que parece existe um consenso de que muita gente termina por qualquer motivo, que a galera não tem maturidade pra sobreviver aos solavancos de um relacionamento adulto e que grande parte de nós não passa de crianças mimadas que não conseguem aceitar a idéia de ser contrariadas e decidem que o melhor é cair fora. E ainda que eu realmente fique sempre impressionado com o ritmo frenético de início e término de relacionamento de várias pessoas e sempre me pergunte como alguém consegue, em apenas dois anos, ter três namoros, dois casamentos e quatro divórcios – ainda mais porque os números não batem, repare – eu sempre desconfiei que o “problema” não é que as pessoas sempre terminam por nada. É que elas algumas vezes começam por muito pouca coisa.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XX

Dentre todas as grandes falhas da nossa geração enquanto homens, que vão desde a nossa incapacidade pra assumir compromissos, a lentidão para amadurecer e a dificuldade para abrir potes de palmito e azeitonas – que provavelmente vai nos levar a obsolescência funcional enquanto gênero – uma das mais notáveis e menos comentadas é a nossa dificuldade pra dizer não. Sim, da mesma forma que um personagem do Steven Seagal não consegue chorar, algumas pessoas não conseguem dizer “eu te amo” e um fanho não conseguiria pedir um tênis de presente sem que isso gerasse piadas, somos de uma geração de caras que cresceu e chegou a idade adulta sem a aparelhagem emocional e cultural necessária pra olhar nos olhos de uma garota, respirar fundo e dizer um sonoro “pô, desculpa, mas não rola”. Em suma, somos todos um bando de fáceis.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XIX

Um assunto que eu acho que já tratei aqui outras vezes é o de como é complexa a questão do interesse dentro dos relacionamentos. Aquela fase cheia de suspense, incertezas e semelhanças com uma música do Flight of the Conchords em que você quer, mas não sabe se ela quer, o que ela quer, como ela quer, por que ela quer e se, quando tudo isso for resolvido, você vai mesmo poder levar as algemas e aquele saco de jujubas que você tinha deixado separado em casa.

Mas você superou essa fase de sinais confusos, emoções conflitantes e de não saber se ela atendia os seus telefonemas porque realmente queria falar contigo ou porque você fazia questão de ligar num horário em que nada legal estivesse passando na TV e agora vocês estão juntos. Assim, ainda não juntos no sentido de relação estável constituída, mas juntos no sentido de que vocês ficaram, continuam ficando e ao que parece ela não está afim de cortar a sua onda tão cedo, ainda que você não seja lá tão bom assim lendo esse tipo de sinal, sabe como é. Mas você gosta dela, ela parece gostar de você e você, que já estava bem animadinho, começou a se empolgar. Sim, se empolgar. E conforme você se empolga, uma preocupação começa a se formar: a de que você acabe bancando o Ted Mosby.

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Problemas práticos do romantismo teórico XVIII

E aí você conheceu uma garota. E ela é inteligente, e ela é divertida, e ela é bonita e ela tem uma boca que você poderia beijar até ser incitado judicialmente a parar e uns olhos que você poderia olhar até que ficar olhando pros olhos dela deixasse de ser fofo e começasse a entrar no campo do levemente assustador porque é isso que a gente sempre pensa de pessoas que olham fixo pras coisas durante tempo demais, não vamos negar.

Perto dela você sentiu um clic que você espera que não seja aquele problema no joelho voltando e teve contato com sensações do tipo “o mundo parece mais divertido”, “as pessoas parecem mais legais”, “as árvores parecem mais bonitas”, “o esquema tático do flamengo continua indefinido, mas tudo bem” e você poderia facilmente dizer que está sob efeito de uma substância com o nome dela se as pessoas não tivessem começado a se portar de uma forma meio hostil diante das suas citações do Charlie Sheen.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XVII

Como qualquer pessoa pode notar, existem várias pequenas características que tornam um envolvimento romântico diferente de qualquer outro tipo de relacionamento que você vá ter na vida, seja um relacionamento profissional, um relacionamento familiar ou aquele tórrido, malicioso e sensual programa de relacionamento da sua companhia aérea. Isso porque afinal, por mais que você goste do seu trabalho, você não sonha com ele duas noites seguidas, por mais que você goste da sua avó, você não fica ansioso, nervoso e provando camisas diferentes quando vai sair com ela, e por mais que você ache bem bacana quando a Gol faz aquelas promoções e te deixa visitar seus tios em Floripa por metade do preço, não é por causa dela que você tem nutrido essa alegria boba e essa simpatia meio constrangedora por certas músicas da carreira-solo do Frejat sobre as quais você não quer falar muito agora porque essas coisas te deixam meio sem graça. E no meio de todas essas pequenas particularidades, existe uma que se torna realmente gritante quando um envolvimento amoroso é comparado com algum outro tipo de relacionamento: a necessidade de reciprocidade.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XVI

O conhecimento popular e o senso comum nos dizem várias coisas sobre o relacionamento homem e mulher que muitas vezes não são necessariamente verdadeiras ou que, mesmo quando são, não devem ser levadas ao pé da letra. Idéias como “ela disse não mas quer dizer sim”, “você pode ganhar pela insistência” e “o naked man sempre funciona” podem ter em si algum fundo de verdade mas não são necessariamente dogmas nos quais você pode se apoiar pra levar a sua vida (ainda mais porque, como todos nós sabemos, o naked man só funciona em 2/3 dos casos). Mas uma verdade que parece se manter inabalável para qualquer homem é o fato de que ele se torna muito mais atraente para as mulheres quando está num relacionamento.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XV

Ainda nos tempos do colégio eu e um amigo tínhamos a chamada “Teoria da ex-namorada”. Ela consistia numa crença de que a sua futura namorada seria, de uma certa forma, escolhida pela sua ex-namorada, já que o perfil de garota que você buscaria num novo relacionamento seria claramente influenciado pelo perfil de garota com quem você se relacionou anteriormente, numa relação de causa e efeito que poderia ser retomada até o seu primeiro beijo e faria com que Viviane, aquela inocente menina de nove anos que morava na casa ao lado fosse responsável por esse seu relacionamento doentio com Lucinha, essa nada inocente garota de 27 anos que dorme com o cara que mora na casa ao lado e nem disfarça, essa vaca.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XIV

Todos nós gostamos de elogios, claro. Ainda que alguns saibam reagir a eles com graça e sutileza e outros reajam com uma falta de tato que te faz pensar “mas por que raios eu elogiei esta besta?” (vocês não podem ver, mas estou digitando com meu braço levantado agora), todos nós gostamos de ouvir palavras de incentivo, receber frases de aprovação e possivelmente ganhar um tapinha no ombro (ou na bunda, isso depende da pessoa) como sinal de que sim, essa foi boa, nos superamos e está tudo bem agora.

Mas ao mesmo tempo que temos toda essa simpatia pelas palavras positivas, pelo retorno amigável diante de algo que deu certo, também temos, várias vezes, dificuldade pra aceitar a opinião contrária, a réplica não tão legal, aquele comentário de que não, não deu certo, saiu tudo uma merda, você é um idiota e estamos profundamente impressionados que você consiga mascar chiclete e caminhar sem morrer sufocado, seu imbecil. Mas mesmo que doa, mesmo que as vezes magoe, temos que entender que em todos os aspectos da nossa vida (e principalmente em nossa vida pessoal) nós temos muito a aprender com ele: o feedback negativo.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XIII

Uma questão complexa na existência humana é a de saber quando persistir e quando desistir em relação a alguma coisa. Seja uma jogada no futebol de segunda, seja um projeto pessoal, seja uma entrada pra um show, seja um emprego, seja uma idéia genial que você teve pra construir camas beliche de casal para praticantes de swing, existe sempre uma zona acinzentada e muito pouco nítida que separa a persistência legítima e que vai, mais cedo ou mais tarde, te levar ao sucesso (ou ao menos a uma sensação de que sim, você fez tudo que podia fazer) e a insistência idiota e que vai te levar apenas a sensações relacionadas à vergonha, degradação e possivelmente uma certa vontade de não sair de casa por uns dias (camas beliche pra casal? sério mesmo?). E claro, quando se trata da sua vida pessoal essa zona cinza e pouco nítida pode acabar se tornando também desfocada, mal-iluminada e coberta por um fungo que você não sabe identificar mas acha meio nojento.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XII

A nossa auto-imagem, ou seja, a forma como vemos a nós mesmos, é um dos aspectos mais complexos e fragmentados da nossa mente. Assim como uma espécie de Capitão Planeta (só que sem o garotinho segurando o macaco) ela é composta de vários fatores que vão desde o que nós somos até o que nós pensamos que somos passando pelo que nós pensamos que os outros pensam que nós somos, o que nós gostaríamos que os outros pensassem que nós somos, e mais inúmeros fatores e/ou outras frases que vão me confundir se eu tentar escrever. Ou seja, é o tipo do assunto complicado, esquisito e meio caótico que você tenta ao máximo fazer com que não venha à tona, mas que, como grande parte dos assuntos complicados, esquisitos e meio caóticos, acaba vindo à tona quando você gosta de alguém ou alguém gosta de você.

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