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Precisamos falar sobre Ted

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Em primeiro lugar temos que lembrar que How I Met Your Mother é uma comédia romântica e comédias românticas, assim como tudo que envolve o romance, são fortemente baseadas num processo de idealização. Assim como a religião consiste em ordenar numa narrativa idealizada e coerente eventos que poderiam tranquilamente ser analisados de forma aleatória e desconexa (macacos, pessoas, vida pós-morte, barulhos estranhos na cozinha, histórias da sua avó sobre um cara cabeludo que andava na água) o romance também trabalha reorganizando de forma narrativa e mais socialmente aceitável eventos que poderiam ser calcados em diretrizes puramente biológicas ou randômicas (atração física, disponibilidade momentânea, consumo excessivo de álcool, tara patológica por pintinhas). Continuar lendo

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Recentes adendos ao pequeno dicionário de frustrações cognitivas

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#a empolgação não contagiante – e você descobriu algum seriado/livro/filme e ele é espetacular. é a série que superará sopranos, é o livro que te fez achar guerra e paz uma bula de remédio, é o filme que fez cidadão kane pagar comédia. e você está absolutamente empolgado, desproporcionalmente fascinado, anormalmente intoxicado de alegria, de maneira que você gostaria de dormir com aquele livro, casar com aquele filme, oferecer orgasmos múltiplos para aquele box de dvd sem nem mesmo precisar daqueles 20 minutinhos dormindo no meio porque ninguém é de ferro e você fica todo suado também então daí é sempre bacana tomar um banho. e claro, você também quer espalhar essa boa nova para o máximo de pessoas possível, sejam eles amigos, familiares, colegas de trabalho ou apenas estranhos que porventura tiverem mantido contato visual contigo no metrô por mais de 3 segundos.

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Teorias reveladoras sobre programas de TV #12, #13, #14, #15, #16 e #17

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#12 – No desenho animado Pokémon o personagem principal, Ash, sofre um acidente logo no primeiro episódio, entra em coma e a partir daí toda a história não se passa no mundo real e sim dentro de sua mente. Misty e Brock são aspectos de seu inconsciente que ele usa para trabalhar seus traumas e questões da adolescência, enquanto a presença de seu pai como vilão é uma representação de seus problemas familiares. Pokémon é então, mais do que um desenho sobre criaturinhas que duelam e fazem barulhos engraçados, uma análise aprofundada dos traumas da puberdade e dos problemas da dissolução familiar no oriente.

#13 – Na série Um Maluco no Pedaço, o personagem de Will Smith morre ainda durante a abertura, quando ocorre a briga na quadra de basquete. O motorista do táxi que Will pega em direção a casa de seus tios é na verdade Deus e sua presença na Califórnia é um período de crescimento e evolução espiritual num misto de céu e purgatório, onde ele pode ao mesmo tempo viver suas ilusões de riqueza e superar questões familiares. As aparições de seu pai e sua mãe são esporádicas exatamente por acontecerem apenas quando eles visitam o túmulo de Will. Mais do que uma comédia de costumes a série se torna então uma versão contemporânea da Divina Comédia de Dante, apenas com calças mais largas e mais aparições do Tom Jones.

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Uma breve reflexão tardia sobre o final de Lost

E como boa parte da humanidade, eu fiquei um tanto quanto cabreiro com o final de Lost. Não que eu seja daqueles fãs hardcore que acompanhavam religiosamente a série, consumiam ansiosamente previews e webisodes, discutiam acaloradamente pôsters ou apostavam semanalmente os números do Hurley na mega-sena na crença cega de que com isso não apenas ganhariam milhões como também peso, sendo depois amaldiçoados e enviados para uma ilha deserta onde perderiam o melhor amigo durante um evento esquisito com um submarino e a única garota de quem jamais gostaram durante uma tentativa de primeiro encontro em que ela desceu pra pegar vinho na escotilha e foi baleada por um cara que costumava andar de cadeira de rodas nas primeiras temporadas de OZ, porque eu não sou, mas ainda assim, quando eu vi o episódio final, ali em meados de 2011, não pude negar que entendi a sensação geral de decepção.

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Novas diretrizes em tempos de paz #3

Como qualquer um de vocês pode notar, o blog vem passando por uma fase meio caótica. Entre longos hiatos, atualizações esporádicas, posts confusos e textos que se lidos ao contrário podem possivelmente conter mensagens satânicas, fica cada vez mais claro o final da era de ouro do Just Wrapped, com o total abandono da intenção de ser uma espécie de Tom Hanks da internet brasileira – regular, consistente, simpático, dançando em cima de teclados gigantes ao som de jingles de iogurte tipo petit suisse – e a adoção de uma postura claramente mais Lindsay Lohan para blogar – inconstante, loucão, possivelmente abusando de certas substâncias e namorando com garotas que tem experiência como dj. Continuar lendo

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5 status pós-termino de relacionamento

Amizade fraterna: E vocês terminaram. Não por conta de brigas, não por conta de problemas, não por conta de algum conflito impossível de solucionar, mas sim porque gradualmente os caminhos que antes se cruzavam viraram retas paralelas e vocês concluíram que, ao menos romanticamente, nunca mais iam se encontrar. Do tempo juntos ficou o carinho, ficou a intimidade, ficou uma certa sintonia e todo aquele conhecimento que um tinha sobre o outro. Você sabe que pode contar com ela quando fica chateado, ela sabe que pode contar com você quando fica triste, e vocês sabem que o amor que um dia sentiram não sumiu, apenas se transformou num sentimento bem menos físico e muito mais próximo da amizade. Ou ao menos é isso que vocês sempre explicam quando todo mundo vem dizer que é óbvio que vocês ainda tão transando e esse papinho de amizade e retas paralelas só pode ser sacanagem, na boa.

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