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5 status pós-termino de relacionamento

Amizade fraterna: E vocês terminaram. Não por conta de brigas, não por conta de problemas, não por conta de algum conflito impossível de solucionar, mas sim porque gradualmente os caminhos que antes se cruzavam viraram retas paralelas e vocês concluíram que, ao menos romanticamente, nunca mais iam se encontrar. Do tempo juntos ficou o carinho, ficou a intimidade, ficou uma certa sintonia e todo aquele conhecimento que um tinha sobre o outro. Você sabe que pode contar com ela quando fica chateado, ela sabe que pode contar com você quando fica triste, e vocês sabem que o amor que um dia sentiram não sumiu, apenas se transformou num sentimento bem menos físico e muito mais próximo da amizade. Ou ao menos é isso que vocês sempre explicam quando todo mundo vem dizer que é óbvio que vocês ainda tão transando e esse papinho de amizade e retas paralelas só pode ser sacanagem, na boa.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XXI

Uma coisa que eu ouço com bastante freqüência é que hoje em dia as pessoas terminam com muita facilidade. Ao que parece existe um consenso de que muita gente termina por qualquer motivo, que a galera não tem maturidade pra sobreviver aos solavancos de um relacionamento adulto e que grande parte de nós não passa de crianças mimadas que não conseguem aceitar a idéia de ser contrariadas e decidem que o melhor é cair fora. E ainda que eu realmente fique sempre impressionado com o ritmo frenético de início e término de relacionamento de várias pessoas e sempre me pergunte como alguém consegue, em apenas dois anos, ter três namoros, dois casamentos e quatro divórcios – ainda mais porque os números não batem, repare – eu sempre desconfiei que o “problema” não é que as pessoas sempre terminam por nada. É que elas algumas vezes começam por muito pouca coisa.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XX

Dentre todas as grandes falhas da nossa geração enquanto homens, que vão desde a nossa incapacidade pra assumir compromissos, a lentidão para amadurecer e a dificuldade para abrir potes de palmito e azeitonas – que provavelmente vai nos levar a obsolescência funcional enquanto gênero – uma das mais notáveis e menos comentadas é a nossa dificuldade pra dizer não. Sim, da mesma forma que um personagem do Steven Seagal não consegue chorar, algumas pessoas não conseguem dizer “eu te amo” e um fanho não conseguiria pedir um tênis de presente sem que isso gerasse piadas, somos de uma geração de caras que cresceu e chegou a idade adulta sem a aparelhagem emocional e cultural necessária pra olhar nos olhos de uma garota, respirar fundo e dizer um sonoro “pô, desculpa, mas não rola”. Em suma, somos todos um bando de fáceis.

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Coisas chatas de estar solteiro #45, #46 e #47

#45: Papos de bar – Quem me conhece sabe que eu nunca tive o menor jeito pra papos de bar. Aquele questionário clássico com o “como você se chama? o que você faz? qual seu muppet favorito? você acha que Han Solo atirou primeiro?” sempre me soou meio óbvio e forçado, assim como a música alta que te faz ter que gritar e toda aquela coisa do “estamos nos conhecendo então preciso fingir que sou legal e não mencionar que estou usando a cueca do Capitão Marvel”. Somando a isso a natural sensação desconfortável que eu sempre tenho quando abordo uma garota numa festa (eu sempre me coloco no lugar da garota e nunca me parece legal ter minha noite com os amigos interrompida por um carinha metido a engraçadinho. o que talvez tenha a ver com o fato de que eu sou um homem heterossexual, mas isso não muda a sensação), me faz realmente ter uma certa impaciência com papos de bar. Ainda mais porque nunca sabem do que eu estou falando quando pergunto sobre o Han Solo, claro.

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Top 5 – Problemas de se tornar o último solteiro do grupo

A surpresa: Uma noite você está com vários amigos solteiros, fazendo coisas de solteiros em lugares de solteiros como, sei lá, ir pra um bar dizer pra garotas que elas deveriam te beijar porque você está com uma doença degenerativa muito grave que só te dá mais 3 horas de vida. (“Ah, e meu relógio está atrasado, meu deus!”) E logo depois, na semana seguinte, você tenta telefonar pros seus amigos e um diz que tem um ensaio de batizado, o outro diz que parou de beber e um terceiro diz que vai sair pra uma noite de vinhos e queijos. Aí você nota que casais são como gremlins, eles parecem fofos, você anda com eles, mas um dia um deles se molha após as 22:00 e tudo que você vê são casais ao seu lado. Engraçado, mas de modo algum civilizado.

O abandono: Se para um casal apaixonado bastam um e o outro (óun), um solteiro depende de toda uma rede social de contatos, amizades, wingmen, informantes e consultores. Mais do que uma atividade solitária, estar solteiro é uma atividade social que exige toda uma logística e todo um suporte que claramente ficam prejudicados quando todo o seu grupo de apoio simplesmente decide debandar e assumir relacionamentos, sem a menor consideração pelo vácuo que isso vai deixar na sua vida. Então depois, quando você começa a sair aos finais de semana para beber com um amigo imaginário chamado Steve, que gosta de contar piadas de comunista e cuja música favorita é Baby’s got back, as pessoas não tem a menor razão em chamar você de maluco.

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Problemas práticos do romantismo teórico – Digressão Especial

Uma tendência que eu noto em várias pessoas desde os tempos dos relacionamentos adolescentes (cheios de confusão, exageros e problemas) até hoje, na época dos relacionamentos adultos (cheios de confusão, exageros e problemas, só que sem isenção do imposto de renda) é uma grande propensão a, em momentos de grande pressão ou desalento emocional, recorrer a ex-namorados (ou namoradas). Sim, quando a carência bate forte,quando a solidão aperta, quando a vida de solteiro parece complicada demais (e qualquer pessoa que já foi até o Mariozinho’s aqui do Rio comigo e com os caras sabe que ser solteiro pode parecer bem complicado nessas horas), muita gente, assim como o Leão da Montanha, apenas grita “saída pela esquerda”, e recorre emergencialmente a um ex. Mas não, não da forma totalmente digna como a maior parte de nós homens faz (através de sms, de madrugada, bêbado, sentado do lado de fora de uma boate e abraçado a uma garrafa de tequila, o que evita qualquer traço de lembrança do evento no dia seguinte), e sim da forma totalmente errada,que é realmente voltando de cabeça para aquele relacionamento que, cinco minutos atrás, era tudo que de pior poderia existir no mundo, junto com a auto-ajuda e a internet discada.

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Coisas que me fazem ficar feliz por estar solteiro #212 e #213

#212: Carnaval com namorada – Podem me chamar de quadrado ou retrógrado, mas eu sou da opinião de que existem certas épocas do ano e certos tipos de evento que não foram exatamente feitos ou projetados para casais. Cinema? Ok, coisa pra casal. Shows? Ok, coisa pra casal. Carnaval? Nem tanto. Micareta? Não, não, não! Sabe a sensação que você imaginava que o John Wayne tinha quando conduzia uma diligência pelo meio de uma tribo de índios famintos e hostis? É mais ou menos assim que um cara, por mais seguro e menos ciumento que seja, se sente ao passear com a namorada pelo meio de um bloco ou uma micareta. Eles são bárbaros, eles são sujos, eles não tem princípios e eles não prestam, basicamente tudo aquilo que você se lembra de ser quando era solteiro. Então conduzir sua namorada em segurança pelo meio deles se torna uma missa complexa e épica, que requer toda a sua atenção e seriedade para que você não comece a jornada de mãos dadas com uma morena de cabelos cacheados e termine do outro lado da festa segurando pela mão um segurança chamado Antônio e que parece estar muito mais feliz do que deveria.

#213: Discussões de casal – Eu quase nunca entendo nada durante discussões de casal. Sério, sério mesmo. Mesmo no tempo em que eu namorava e estava totalmente adaptado e praticando constantemente o conceito eu simplesmente era incapaz de compreender os motivos, processar os argumentos ou mesmo, em vários instantes, notar que realmente existia uma briga acontecendo. Quase sempre era tudo súbito, meio descoordenado e totalmente incompreensível, como se eu entrasse num cinema polonês do meio de uma sessão dublada de Dogville e o cara da poltrona da frente tivesse um black power enorme que tapasse metade da tela. “Eu estou errado? Ela está errada? E se ela está errada, porque sou eu que tenho que pedir desculpas? E como assim pedir desculpas não adianta? O que adianta então? E por que você tem uma faca?”, esse tipo de sequência de informações é extremamente complexa pra mim, já que é o tipo de contexto em que até mesmo concordar com a outra pessoa desencadeia uma briga e frases como “não fica nervoso, sério. não fica nervoso…não fica nervoso!!!!” começam a surgir, deixando tudo absolutamente incompreensível. E claro, se depois de tudo resolvido você disser algo do tipo “viu, a gente não precisava ter brigado…” ela vai dizer “mas quem estava brigando aqui?!” e vai começar tudo de novo.

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Grandes clichês da vida noturna de solteiro – I

A ficada de banheiro: Uma das mentiras mais clássicas da noitada é a de que você ficou com uma garota lá perto do banheiro. “Ficar com uma garota perto do banheiro” é, em termos de mentira clichê, algo naquela linha tênue entre “não é nada disso que você está pensando” e “o Polystation é a mesma coisa que o Playstation, pode levar!”, já que é o tipo da coisa que já se convencionou considerar mentira antes mesmo que haja qualquer argumentação. Afinal você está dizendo que, ainda que no ambiente teoricamente propício e aberto da pista você não tenha tido sucesso nenhum e tenha sido rechaçado por todas as garotas tal qual um projeto de continuação para Acquária, você conseguiu na saída (ou dentro, como ainda tentam afirmar alguns) do banheiro puxar conversa e ainda ficar com aquela garota linda que ninguém tinha visto antes e que logo depois foi embora, sem deixar telefone e com quem você nunca mais vai sair. É a versão masculina não-amazônica da frase “fiquei grávida do Boto Rosa”.

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Top 5 – Formas de passar o dia dos namorados se você estiver solteiro

E sim, chega o dia 12 de junho e nessa sexta-feira é comemorado o dia dos namorados. Claro que esse tipo de feriado mezzo emocional mezzo comercial acabou perdendo o seu apelo depois que a os lojistas passaram a forçar a barra e inventar coisas como o dia da amante, o dia da ex-namorada e o dia daquela garota com quem você ficou naquele show dos Paralamas em que estava tão bêbado que se sentou em cima do muro, chamou o policial militar de Sr. Sulu e disse que era pra ligar os motores de dobra que você iria acabar com todos os romulanos ali mesmo, mas ainda assim é uma data que tem seu significado. Afinal, se você namora é um ótimo dia pra tentar fazer alguma coisa especial, exagerar no romantismo ou pelo menos gastar um dinheiro num presente relativamente interessante. E se você está solteiro é um dia pra…pra…bem, vou dar aqui cinco interessantes sugestões do que fazer no dia dos namorados quando você não tem namorada, namorado, ficante, ou algum ser vivo (ou não) com quem você se relacione de forma romântica, afinal, cada um cuida da sua vida e tal.

Arrume alguém: Dia dos namorados, sexta-feira, provavelmente isso irá despertar em certas pessoas emocionalmente mais frágeis um certo nível de carência afetiva que pode resultar no surgimento de um novo relacionamento logo nesse dia tão especial. Pense só, que coisa fofa pra contar pros seus filhos: “sabia que mamãe e eu nos conhecemos no dia dos namorados, Junior?”. Bem melhor do que se conhecer no funeral do síndico ou no dia do açougueiro, não? Então se anime, vista sua melhor camisa com listras que te emagrecem, penteie o cabelo, use aquele Axe que promete fazer as mulheres te morderem (mas não cumpre, infelizmente…eu testei…) e saia para a noite, meu garoto (ou minha garota)!

Atrapalhe a noite de um casal: Você não acredita nas suas chances de conseguir alguém e prefere jogar na segurança, com algo que você tem certeza que consegue fazer, ou seja, incomodar a noite de outras pessoas. Então faça isso! Escolha seu casal favorito e force a barra para sair com eles, destruindo totalmente qualquer possibilidade de que eles tenham uma noite realmente romântica ou divertida em qualquer aspecto. Leve eles para o Habib’s, peça um sundae imenso e fale sobre sua vida pessoal, diga que está carente e se sente entre os dois no cinema, leve seu porta-cd e ouça Rogério Skylab no carro deles, coisas assim. Afinal, como dizia meu avô, se você não pode vencê-los, incomode-os.

Curta uma fossa: Claro, existem pessoas que preferem curtir seu dia dos namorados solitário de uma forma mais introspectiva, mais reflexiva, ou seja, na fossa mesmo. Faça um jantar solitário ouvindo Eric Clapton, depois sente sozinho para assistir “Cidade dos Anjos” ou “Casablanca” tomando sorvete no pote e finalize relendo as cartas da sua ex-namorada que agora está noiva de um cara mais bonito e bem-sucedido do que você! Claro, antes disso se lembre de esconder todas as facas e outros objetos pontiagudos e de colocar aquelas redinhas nas janelas, mas não perca a chance de curtir essa noite com o seu emocional uns 6000 metros abaixo do nível do mar!

Fique em casa com a sua mãe a ouvindo falar mal do seu pai: Uma forma bem legal de não se sentir mal por estar sozinho é, quando você tem pais divorciados, ficar em casa e pedir pra sua mãe falar sobre casamento, vida a dois e relacionamentos em geral. Provavelmente depois de meia hora de conversa você já vai se sentir feliz por estar sozinho, mas se tiver força de vontade e suportar, digamos, umas 4 horas, você vai terminar essa noite totalmente convencido de que nunca mais deve nem mesmo se aproximar de pessoas do sexo oposto, seu pai é o anti-cristo e o casamento é uma instituição com tantas chances de sucesso quanto um acústico do Carrapicho (“bate forte o tambor, eu quero é tiquetiquetiquetiquetá”).

Namore com você mesmo: Bem, é dia dos namorados, que tal dar uma atenção especial para a pessoa que você mais ama no mundo? Sim, vista uma roupa bonita, se arrume, pague um taxi para você mesmo e se leve para jantar, se dê um presente legal, quem sabe um cinema depois, talvez até beber alguma coisa. Você se conhece bem e sabe como se fazer feliz. Depois vá para casa, coloque uma música, um cd que você goste, talvez assistir um pouco de televisão, aquela sua série favorita. Então uma sobremesa, alguma coisa leve e depois…bem, depois, é contigo, mas eu não recomendo que você se leve pra cama no primeiro encontro, vai fazer com que você se ache fácil e depois descarte a si mesmo. E bem, você não quer que você mesmo comece a te telefonar de madrugada te chamando de canalha, não?

P.S: Alguém mais aqui, quando pensa no dia dos namorados, acaba inevitavelmente se lembrando dos problemas que Charlie Brown tinha por nunca receber um cartão? Sério, eu realmente associei a data com isso…

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O gap etário sentimental

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Não sei se existe alguma tendência natural na biologia humana para procurar parceiros entre pessoas de faixa etária semelhante à sua. Eu realmente não sei se existe esse imperativo, ainda mais porque eu dormia em muitas aulas de biologia, mas eu me lembro que existia apenas algo sobre buscar pessoas em idade “reprodutiva” (o que nos dias de hoje não quer dizer muita coisa) e a explicação parava por aí. O resto eram feromônios, aparência de quem poderia produzir crias saudáveis e aparência de quem poderia pagar pensão para essas crias saudáveis alguns anos depois (e isso vale para ambos os sexos). Mas pra que esse preâmbulo todo? Bem, eu acho que, aos 24 anos, eu caí em alguma espécie de gap emotivo/reprodutivo, um vão na cadeia alimentar emocional. Me deixem explicar.

Eu tenho 24 anos. [insira sua piada infame aqui] Mas desconfio que em algum local entre o segundo grau, a faculdade e a porta giratória do banco onde eu trabalho, a atualização da minha auto-imagem ficou pra trás. Eu sinceramente não consigo aceitar que eu já tenho quase 25 anos, um trabalho estável, pago minhas contas e na terça, quando eu quase cortei meu dedo fora e ele sangrou pra caramba, a minha atitude de ligar chorando pra minha mãe foi ridícula. Eu simplesmente não consigo processar isso. Se eu tiver que me descrever ainda vou me imaginar no máximo com 20 anos, ainda usando bermuda e camisa de pijama pra ir até a faculdade, isso caso não me imagine com 16, ainda mentindo pra minha mãe sobre estudar matemática pra ir beber na esquina de casa (eu não era um adolescente muito preocupado com o futuro, nota-se…se fosse iria beber um pouco mais longe).

Isso, claro, influi diretamente na minha visão de pessoa atraente do sexo oposto. Interessantes são as garotas de 15 a 18 anos, estourando em 19, 20, óbvio. Mulheres acima dessa idade me deixam impressionantemente inseguro e preocupado. Até aí tudo bem, grande parte dos meus amigos da mesma idade está com garotas de 18, 17, 16, 15, 14, 13 anos. Eu apenas não vou citar os nomes deles, pra não ficar sem ter com quem conversar no msn e ter que levar cigarro pros outros na cadeia. E realmente ficaria tudo bem, não fosse a minha mais elevada expectativa em qualquer tipo de relação: uma boa conversa. Sim, eu priorizo uma boa conversa. Quer dizer, na verdade eu basicamente priorizo uma pessoa engraçada e que entenda as minhas piadas, o que basicamente consiste na minha idéia de conversa (uma troca de piadas entre pessoas civilizadas).

E não que garotas de 16 anos não possam ser engraçadas, divertidas e inteligentes. Elas podem, claro. Mas elas basicamente não falam sobre os mesmos assuntos que eu. Muitas deles não sabem quem eram os Changeman, nunca viram “O poderoso chefão”” ou um episódio de “TV Pirata” e não entenderiam uma referência a “Casablanca” nem se ela tocasse “As time goes by” no mp4 delas. E isso não só limita minhas chances de conseguir um diálogo interessante como até mesmo as minhas chances numa possível abordagem (se eu não conseguir impressionar a garota com o meu senso de humor e minhas referências de cultura pop eu vou impressionar com o que?meus sedutores olhos castanhos?minha pujante imitação dos marcianos de “Marte Ataca”?)

Eu deveria então tentar as mulheres da minha idade, certo? Bem, elas me acham infantil. Não que essa seja uma opinião geral defendida por todas elas (afinal, se fosse eu chamaria a minha mãe), mas eu percebo que elas me vêem como alguém nada confiável, imaturo e com sérios problemas para se comprometer. Não que isso não seja a mais absoluta verdade, mas como elas notam isso tão rápido? Está escrito na minha testa? É meu jeito de andar? De me vestir? È a lancheira do Hulk que eu levo pro trabalho?

O fato é que caí num gap de mercado. Tenho 24 anos [insira aqui as suas piadas infames ainda não usadas no segundo parágrafo] mas me interesso com mais freqüência por mulheres mais novas, com quem não consigo ter muito papo e cujas referências eu realmente não compreendo. E claro, eu conseguiria (com sorte e esforço) ter bem mais assunto com mulheres da mesma idade que eu, mas boa parte delas* espera de um relacionamento coisas como estabilidade, seriedade e um cara que não queira comprar um sabre de luz. Fica agora a dúvida sobre como resolver isso. Devo amadurecer? Devo começar a ouvir Demi Lovato? Devo mudar totalmente meu foco, começar a malhar e tentar me casar com a Suzana Vieira? (não resolveria a carência emocional, mas pagaria minhas contas e ainda me daria alguém com quem falar sobre Chaplin, cinema mudo, Oscarito, a crise de 29 e King Kong. A primeira versão) Ou devo apenas beber sempre que sair e tentar não perguntar a idade de ninguém? Seja qual for a faixa etária, acho que primeiro vou ter que resolver essas minhas questões quanto a comprar um sabre de luz. Isso está se tornando um assunto recorrente demais aqui no blog…

*Claro, existem mulheres da minha idade que “não estão querendo se amarrar e desejam uma relação liberal, sem neuroses e com tranqüilidade”.** Mas eu abri mão desse universo quando passei a trabalhar num banco e entrei na categoria dos “caras broxantes pra quem sua mãe vai tentar te empurrar quando você não tiver mais idade pra achar nada melhor”.

**Tirei essa parte do texto de um anúncio de solteiros que eu ouvi numa rádio AM aqui de Cataguases.


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