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Breves conceitos para uma análise das sub-amizades

A amizade de ocasião: nascida quase sempre de forma fortuita e majoritariamente derivada da exposição de pessoas a um ambiente hostil e desconhecido, a amizade de ocasião é o melhor exemplo de relacionamento instrumental, no qual duas pessoas desenvolvem um vínculo – tênue ou não – apenas pelo período necessário para que superem uma situação específica ou supram uma necessidade pontual, sem que exista necessariamente o planejamento ou intenção de que essa relação seja mantida fora daquele contexto ou após aquele período. Como exemplos de amizade de ocasião podemos mencionar aquela sua extrema simpatia pelo seu vizinho que comprou um videogame novo antes de você, aquela sua profunda ligação com a colega nova do trabalho até notar que ela não tinha amigas gostosas e todas as noites em que você, bêbado, aluga o garçom falando sobre como sente falta da Luana e terminar com ela foi o pior erro da sua vida. Continuar lendo

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Por uma breve taxonomia do mau-caratismo, da malandragem e do vacilo

O mau-caratismo: Um comportamento sistêmico, contínuo e de longo prazo, o mau-caratismo quase sempre envolve uma profunda tendência a ignorar as regras básicas do convívio social e da fraternidade humana. O praticante do mau-caratismo – doravante chamado “mau-caráter” – basicamente não reconhece grande parte das limitações morais que atingem as outras pessoas e tenta, através do seu alheamento e falta de consideração por vários dos principais pilares que evitam a barbárie na sociedade, aproveitar oportunidades que o cidadão comum não tentaria utilizar por considerar que é meio errado roubar dinheiro de cadáveres, invadir a casa do chefe durante a madrugada para pegar documentos ou encoxar a mulher do amigo durante a festa de casamento dele. Mais uma deformação moral do que um traço de personalidade, o mau-caráter é mais ou menos como o Dexter, com a diferença de que ele não necessariamente mata pessoas e seria capaz de, hospedado na sua casa, roubar seu carro, xingar seu pai e assediar sua irmã. Ok, talvez não tenha nada a ver com o Dexter. Eu às vezes confundo os seriados.

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Sobre o elogio, o flerte, a cantada e a meta-cantada

Elogio – O elogio é uma manifestação básica de simpatia e aprovação diante algo que foi impressionante ou marcante de uma forma positiva, algo que, ao contrário do que muitas mulheres pensam, um homem é sim capaz de fazer sem estar sendo necessariamente guiado por segundas intenções. Aquela sua colega de trabalho que ficou gata de cabelo curto, aquela sua prima que ficou sensacional com aquele vestido de festa, aquela sua amiga que fica reclamando no twitter que é feia e fez você se sentir obrigado a dizer um “você é linda, pára com esse mimimi, porra”, são casos em que você pode sim estar elogiando alguém sem nenhum tipo de planejamento prévio ou intenção posterior, apenas porque quis ressaltar um traço positivo numa pessoa querida. Claro que se ela responder com um “ah, vem aqui em casa me lambuzar de Nutella então, seu lindo” você não vai pensar duas vezes, mas esse não era necessariamente o seu plano. Mesmo porque você nem gosta tanto assim de Nutella.*

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