Arquivo da tag: tias

Não culpe a internet por não falar mais com a sua tia

betty-white-can-use-the-force

Depois de passarmos um bom tempo defendendo que a tecnologia iria resolver todos os nossos problemas – “viagens espaciais, vida eterna, queijo em spay!”- a tendência mais recente é falar que a informatização, os celulares e a internet são os grandes culpados por tudo. Nossos jovens são violentos por causa dos videogames, nossas famílias são distantes por causa dos celulares, nossos relacionamentos estão em frangalhos por conta dos computadores.

E de todas essas teorias vagamente apocalípticas, uma das que mais me intrigou sempre foi a ideia de que a evolução dos meios de comunicação e o desenvolvimento da internet estariam servindo para nos afastar das pessoas. Por causa do facebook não fazemos amizades, por causa do skype não saímos mais, por causa do twitter não conversamos de verdade, por causa do orkut gastamos nosso dinheiro com moedas para o jogo da fazendinha. E essa teoria sempre me fascinou porque, se você pensar bem, ela obviamente não passa de uma desculpa esfarrapada.

Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em é como as coisas são, Crônicas, revista em minas, teorias, Vacilo

Novos adendos ao pequeno dicionário pessoal de sensações esquisitas

Cena 1

Você está conversando com a garota e está tudo bem. O papo fluindo, você tentando manter aquela coisa tarantinesca do “hysterically funny, but not funny-looking” e obtendo aquele nível moderado de sucesso até que em um dado momento você diz uma besteira. Você sabe que é uma besteira porque assim que você falou começou a bater um arrependimento, ela deu uma piscada assustada e em algum lugar na sua cabeça um neurônio deu um soco em outro e começou a gritar algo como “porque eu só trabalho com imbecis? por que?! poooor queeeeee?!”.

Então você, na intenção de corrigir a má impressão, tenta dizer qualquer outra coisa. E consegue piorar a situação, levando aquele mesmo neurônio a dar cabeçadas na membrana aracnóide e praguejar contra “o pior emprego do mundo, maldição!”. Daí você resolve partir pra metalinguagem e brincar que não é sempre tão idiota assim, o que claramente dá a impressão de que sim, você é sempre idiota desse jeito. E daí em diante você vai basicamente passar a noite toda tentando se corrigir e piorando a sua situação, numa imensa e interminável escalada de constrangimento, até que seus neurônios apenas desistam de você e decidam trabalhar por contra própria numa fórmula para definir números primos.

Continuar lendo

10 Comentários

Arquivado em Desocupações, Mundo (Su)Real, situações limite, teorias, Vida Pessoal