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Gonna find my baby, gonna hold her tight, gonna grab some afternoon delight

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Nesta semana que passou não tivemos texto novo por aqui mas em compensação discutimos a obrigatoriedade dos “relacionamentos sérios” no Papo de Homem, o uso de palavrões e do constrangimento como ferramentas de humor no Sobre Comédia e também o ódio do Alan Moore pelos super-heróis no Danger!. Clique nos links para prestigiar os assuntos mas não deixe de ler os comentários, fui xingado de algumas coisas bem criativas essa semana e acho que em breve alguém vai superar o dia em que um cara disse que eu “colocava a vagina num pedestal” e eu senti como é viver na vida real uma cena do filme “O virgem de 40 anos”.

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Item #77 do guia de bolso dos pequenos desconfortos conversacionais

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O sol já se pôs, a lua caminha inexorável pelo céu e você, diante da sua mesa de trabalho, está concluindo projetos atrasados, dando retoques em projetos atuais, preparando para o dia seguinte projetos vindouros. No fone de ouvido apenas músicas que te propiciam a maior e mais intensa imersão no universo burocrático do seu trabalho – acústico art popular – e a intenção de aproveitar as horas em que o escritório está absolutamente vazio para se dedicar de corpo e alma às suas demandas profissionais.

Mas o escritório não está absolutamente vazio, é claro. Enquanto Leandro Lehart entoa seu ôôaa ôôaa você ouve um som que lembra uma voz humana tentando romper a barreira idealmente intransponível representada pelos seus fones de ouvido de tamanho propositalmente grande e cores deliberadamente berrantes. No começo você ignora, mas o volume da manifestação externa vai apenas crescendo até chegar a um ponto em que você considera que pode ser adequado ao menos descobrir de onde vem o ruído.

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Dos robinhos da maldade, dos denílsons da babaquice

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Por mais que nós tenhamos consciência de como o mundo é duro, a realidade é complexa e nem sempre aqueles ideais de amizade, harmonia e um coleguinha emprestando o giz de cera pro outro, que aprendemos em casa e na escola, conseguem ser diretamente aplicados por todos na vida real, é sempre um certo choque quando somos obrigados a aceitar que alguma pessoa, seja ela próxima ou distante, está agindo de forma deliberada visando nos prejudicar. Afinal, na nossa narrativa pessoal nós somos os protagonistas, na nossa visão de mundo nós somos os mocinhos, no star wars de cada um somos todos Luke Skywalker e ninguém quer ser Darth Vader (ainda que eu pessoalmente ache mais bacana ser o Lando por que nada supera o combo capa e bigode).

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Colegas que não ajudam o seu trabalho #23, #24 e #25

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O cagão – Extremamente cioso da própria posição profissional, esse colega apresenta um estado constante de total e completa paranóia em relação a sua manutenção no emprego. Ele tem medo de contrariar o gerente, receio de discutir com o coordenador, pavor de contradizer o supervisor, não gosta de se envolver em argumentos com colegas de trabalho, evita questionar pessoas da outra gerência e uma vez foi visto trazendo um café para o estagiário porque ele parecia meio chateado e nunca se sabe que contatos aquele garoto pode ter. Incapaz de negar uma solicitação, questionar uma ordem ou apenas avisar que montar a árvore de natal da gerência não é exatamente trabalho de designer, a tendência natural desse profissional é sempre a de acumular demandas sem sentido, se perder em tsunamis de retrabalho e ficar até as 20:00 no escritório revisando o convite pra festa de 15 anos da tartaruga de um gerente que pediu com muita insistência. Ainda que visto como um perigo apenas para si mesmo, ele quase sempre arrasta em sua paranóia seus colegas de setor, que acabam envolvidos nas suas atividades e passam muita raiva, principalmente por sempre terem sido péssimos montando essas árvores de plástico. Aqueles encaixes apenas não fazem sentido pra mim, sério.

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Sobre breves limites pro seu repertório pessoal de mentiras inofensivas e inverdades de tonteio

 

koenig-stiv#Não que você seja surdo ou tenha algum problema, mas você não ouve muito bem. Quando as pessoas falam você precisa olhar pra elas, quando telefonam você precisa pedir pra repetir, odeia ver filme dublado porque precisa ficar voltando. Mas ao mesmo tempo você não gosta de importunar. Acha chato dizer “como?”, não gosta de mandar um “desculpa?”, então você desenvolveu com o tempo um estilo de escuta passiva que consiste em apenas sorrir, as vezes até rir mesmo e dizer “ahhhh, claro” ou “ahaaaam”. Você usa isso com a chefe, mas depois pede confirmação por email, você usa isso com a namorada, quando sabe que ela tá irritada demais pra repetir o que falou, você usa isso com sua mãe, quando ela fala muito rápido, muito baixo e você sabe que o assunto não é importante. Aí um dia sua mãe bate na sua porta e diz que já comprou os ingressos pro show. Que show? Oswaldo Montenegro. Que ingressos? Vocês tinham combinado. Mas como? Pelo telefone. Quando foi isso? Semana passada, você disse “ahhh, claro”. Você respira fundo e pensa. Voa condor.

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2013 e a pequena morte das grandes resoluções

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De todas as promessas de ano novo que fiz envolvendo os aspectos mais diversos da minha vida, desde dar mais atenção para as pessoas até parar de culpar a tim quando não quiser atender ligações, passando por não usar minha mãe ou minha namorada como pretexto para não participar de eventos e nunca mais mencionar religiões que eu não sigo como desculpa para não provar comidas, uma das que eu concluí que precisava levar mais a sério era a de tentar olhar o mundo com menos hostilidade.

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Pessoas com quem você não quer topar durante uma reunião #97, #98 e #99

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#97 – O Ted Mosby: Um contextualizador obsessivo, o Ted Mosby sente uma necessidade incontrolável de, diante de qualquer questão, por mais simples e inócua que seja, oferecer um panorama completo, histórico e detalhado de todos os aspectos relacionados ou não, conseguindo transformar qualquer discussão, mesmo que absolutamente superficial, numa verdadeira palestra. Ele não consegue falar sobre o fluxo de caixa sem apresentar o plano de negócios, não consegue apresentar o projeto sem discutir a missão, não consegue citar o nome de alguém sem mencionar toda a equipe, incluindo background, formação e habilidades específicas e certa vez, quando alguém perguntou quem tinha feito aquele café delicioso ele começou com a frase “a história do café começou nas terras altas da etiópia no século IX…” e todos só conseguiram sair da sala quando o cara da segurança apareceu pra dizer que precisavam apagar as luzes.

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Sobre primeiros beijos, saltos de fé e todo esse medo de portfólios, originais e empregos novos

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Uma teoria que eu sempre tive é a de que em nenhum momento, independente de qual seja, o tempo se move tão lentamente quanto naqueles momentos antes de um primeiro beijo. Sim, os poucos segundos, logo antes dos lábios se encontrarem, em que você já moveu o corpo, olhou diretamente nos olhos, e começou a aproximar o seu rosto do dela, manifestando claramente suas intenções, deixando de lado qualquer resquício de fingimento e abandonando de vez aquela farsa de que vocês efetivamente saiam do trabalho todo dia no mesmo horário ou magicamente entravam no gtalk na mesma hora quando estava óbvio que você ficou mais de vinte minutos passando frio do lado de fora daquele prédio e estava offline jogando marvel ultimate alliance o tempo todo.

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Sobre uma certa ligação entre a complexidade da descrição do seu dia e a hora certa de trocar de trabalho

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No começo dava pra descrever rapidamente, fosse do jeito que fosse. Sua mãe, seu irmão, as vezes uma tia ou uma avó perguntavam como ia o trabalho e você soltava um “tudo bem”, “meio chato”, “um pouco cansativo”. Você não pensava muito, era apenas trabalho, tinha seus dias bons, tinha seus dias ruins.

Depois começaram as metáforas. Encontrando com a namorada na sexta à noite você dizia que “era um inferno”, “era um caos”, “era uma droga” e rapidamente partiu pras comparações simples, mencionando que era como “uma bela surra de bastão”, “apanhar na rua” ou “como estar preso num episódio ruim de the office”.

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Dois pequenos interlúdios profissionais

 

#1

Escritório lotado, começo da tarde. Por alguma razão todos usam seus telefones de trabalho no viva-voz, como se estivessem jogando aqueles simuladores de direção com volantinhos enquanto falam ao telefone, o que seria muito legal mas não é verdade. Ao meu lado uma colega começa a discar e logo em seguida tenho acesso ao seguinte diálogo.

“Boa tarde, eu queria marcar uma aula com o professor Kumon”

“Como assim professor Kumon, senhora?” Continuar lendo

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