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Novas aventuras em lo-fi #19

Uma coisa engraçada da adolescência é que, apesar de ser possivelmente a época mais rica em transições, revoluções e reviravoltas que qualquer um de nós chega a ter na vida, já que não apenas não temos o controle de muitas das coisas que nos acontecem (quando se tem 16 anos não se pode escolher a casa onde se mora, o colégio onde se estuda, o curso de inglês que se faz ou que fotos suas vão ou não ser exibidas quando as visitas chegam na sua casa) como também estamos num momento de diversas transições pessoais (emos viram grunges, que viram hipsters, que viram metaleiros, que viram pagodeiros, que resolvem mudar o nome pra um símbolo como se fossem o Prince), ela consegue ser ao mesmo tempo a época das decisões mais contundentes, das opiniões mais fortes, das convicções mais firmes. Continuar lendo

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Mini-conto #3: “My last days of romance”

Nós tínhamos uma música. Não que fosse exatamente nossa, decidida de forma democrática e de comum acordo, ou que tivesse alguma razão óbvia pra ser a nossa música, como o fato de, sei lá, termos nos conhecido ao som dela, termos dado nosso primeiro beijo quando ela tocava ou termos dançado pela primeira vez enquanto ela rolava numa pista vazia na madrugada de uma boate em algum lugar (mesmo porque eu não sei dançar). Era só uma música que me fazia pensar nela, acho que sem muita lógica, tanto que eu nunca me dei ao trabalho de comentar com ela que “tínhamos uma música”, já que achava que os apelidos carinhosos já eram clichê o bastante. Não que eu seja um cara de colocar limites, mas ser chamado pelo nome de um pokémon sempre soa como “o bastante”.

E nós continuamos tendo uma música sem necessariamente ter uma música até um dia em que estávamos voltando meio bêbados de uma festa. Não me lembro exatamente o porque da festa, ainda que me lembre bem o porque de estarmos bêbados (acho que naquela época sempre estávamos meio bêbados, não? e não falo só de nós dois, falo de todo mundo por lá) e eu acabei comentando sobre isso, sobre a música. Foi o tipo da atitude sintomática e meio idiota que sempre começava comigo e causava nela o tipo de reação também sintomática e também idiota que iria me deixar constrangido e ir minando pouco a pouco qualquer resquício de romantismo que eu pudesse sentir. Ou então eu apenas fui me tornando menos idiota com o tempo, também é uma possibilidade.

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