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Sobre a tia dos patins e uma proposta de relativização do estranhamento no ocidente

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No meu prédio tem uma senhora que costuma ficar andando de patins, segurando sacolas e falando sozinha numa língua desconhecida toda noite, ali entre as 20h e 22h, circulando exclusivamente entre a área do portão e da portaria, sempre apoiada na grade e olhando pra tudo e todos com cara de surpresa. No começo eu tentava achar justificativas racionais para aquele comportamento – a violência no rio, a dificuldade inerente ao processo da patinação, o fenômeno de pentecostes no qual o espírito santo desceu nos apóstolos e os caras saíram por aí falando outras línguas, o que pode parecer forçado pra você mas eu fiz crisma e eu também acreditava no teste de fidelidade do joão kléber, então qual o problema, certo? – mas com o passar o tempo e a repetição constante do ritual eu acabei aceitando a realidade de que, como bem considerou um amigo quando ciente do evento, se tratava apenas de uma tia esquisita pra cacete.

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