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Por uma breve teoria narrativa dos tremendos vacilos

Evil_Troy_and_Evil_AbedUma tendência natural em todo ser humano é a de comparar sua vida a um processo ficcional de narrativa. Existem as pessoas, que atuam como personagens, existem as sequências de eventos e suas conseqüências, que formam a trama, existe um começo claro, um final pontual e uma passagem delimitada de tempo. Dentro dessa lógica nos vemos como protagonistas de uma história específica, que varia entre os mais diversos gêneros e que pode envolver ação, aventura, romance, terror ou apenas muitas pessoas falando sobre muitas coisas durante muitas horas enquanto toca uma música engraçadinha ao fundo e no final o Bill Murray te dá um abraço porque essa meio que é a onda do cara.

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Arquivado em Crônicas, crise de meia meia idade, homens trabalhando, Vacilo, Vida Pessoal

Mais dois casos clássicos dos double binds da vida

george michael

#Você organiza pelada e pelada é só amigos, pelada é só alegria. Futebol society, campinho gramado, barzinho do lado. Dois timinhos de seis, espaço pra trabalhar a bola, pensar na tranqüilidade, tocar pra quem tá mais bem posicionado, desenvolver a malícia desportiva. Timinho de fora pra manter competitividade, mas não completo, rola par ou ímpar pra ver quem fica. Durante dois meses tá de boa. Mês seguinte não tem timinho de fora, mas tá tranqüilo,corre mais, ainda que com menos seriedade porque sem sair você sabe como malandro fica. Um mês depois começa a ficar complicado de dar doze, tem que chamar galera da pelada anterior pra completar, mas tá de boa, é coisa do momento, janeiro é foda, geral de férias. Aí na outra semana só tem dez, maior correria, mas a pelada rola. Aí numa quarta chove e só tem seis, seis é foda. Na outra vão cinco, cinco é sacanagem. Falta dinheiro pra quadra, pelada mia, você fica puto. Manda email reclamando e pedindo pra cada um levar um amigo, pra pelada não morrer, email emocionado, usa a palavra “comprometimento” em itálico sublinhado. Chega quarta, cada um leva seis amigos. Pelada lotada, oito times de fora. Você pensa que agora tá bacana. Galera sai puta porque tinha gente demais e não rolava de jogar. Você pede pra galera confirmar no site antes de ir, pra isso não acontecer mais. Na outra semana tem seis pessoas. Depois tem cinco. Cinco é sacanagem. Você acaba com pelada. Organiza outra pelada. Outra pelada é só amigos, outra pelada é só alegria. Um dia você chega lá e só tem seis caras. Seis é foda.

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Por uma breve taxonomia do mau-caratismo, da malandragem e do vacilo

O mau-caratismo: Um comportamento sistêmico, contínuo e de longo prazo, o mau-caratismo quase sempre envolve uma profunda tendência a ignorar as regras básicas do convívio social e da fraternidade humana. O praticante do mau-caratismo – doravante chamado “mau-caráter” – basicamente não reconhece grande parte das limitações morais que atingem as outras pessoas e tenta, através do seu alheamento e falta de consideração por vários dos principais pilares que evitam a barbárie na sociedade, aproveitar oportunidades que o cidadão comum não tentaria utilizar por considerar que é meio errado roubar dinheiro de cadáveres, invadir a casa do chefe durante a madrugada para pegar documentos ou encoxar a mulher do amigo durante a festa de casamento dele. Mais uma deformação moral do que um traço de personalidade, o mau-caráter é mais ou menos como o Dexter, com a diferença de que ele não necessariamente mata pessoas e seria capaz de, hospedado na sua casa, roubar seu carro, xingar seu pai e assediar sua irmã. Ok, talvez não tenha nada a ver com o Dexter. Eu às vezes confundo os seriados.

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Dos problemas do raciocínio lógico para o aconselhamento emocional

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“…e é por isso que eu acho que ela tá saindo com outro cara…”

“Ah, Marquinhos, isso é viagem sua, sério”

“Pô, só é. Viagem mesmo, Luana nunca ia fazer isso contigo, que isso”

“Com certeza, garota muito tranqüila, vocês tão juntos há meses, nem tem nada a ver”

“É, quê isso, de boa mesmo, nada a ver…ainda que…”

“Ainda que o que?” Continuar lendo

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Outros adendos ao dicionário pessoal de sensações esquisitas

Cena 1

Você está saindo do trabalho e uma garota com uma prancheta te aborda, diz que faz parte de um grupo de pesquisa e pergunta se você pode ajudar respondendo algumas perguntas. Muito adiantado pra uma consulta médica, você diz que sim, ok, tudo bem. Aí ela, entre sem jeito e sem graça, diz que o assunto são hábitos das pessoas na cama. Você respira fundo, luta contra a sua timidez e durante 10 minutos fala sobre sua vida sexual desde que perdeu a virgindade, comentando sobre inseguranças, experiências pessoais e possíveis pontos de melhoria que você nota em si mesmo. Aí a garota diz que apenas trabalha numa empresa de colchões, mas respeita a sua sinceridade e te deseja só coisas boas.

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3ª temporada, episódio 17

Às vezes a gente estraga tudo. Estraga tudo com um trabalho, com uma pessoa, com uma situação, com uma noite, com alguma coisa. Quebramos alguma regra implícita que mantinha as coisas funcionando, ultrapassamos algum limite que nós mesmos havíamos criado pra esse tipo de situação, vamos mais longe do que deveríamos ir e estragamos alguma coisa que simplesmente não fazemos a menor idéia de como consertar (se é que existe realmente a possibilidade de consertar).Quase nunca fazemos isso voluntariamente, claro, mas em boa parte das vezes nós sabemos que o que estamos fazendo tem uma grande tendência a ferrar com algo que consideramos importante, mas mesmo assim por alguma razão absolutamente idiota e que vai parecer abissalmente mais idiota depois que tudo estiver devidamente ferrado, nós continuamos seguindo aquela linha que vai nos levar a, como eu disse no começo, estragar tudo.

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