Arquivo da tag: viçosa

There’s so much romance around here…

Como todos vocês sabem, eu moro em Viçosa, Minas Gerais, cidade universitária famosa por ser um antro de perdição, depravação, safadeza e pesquisa agropecuária (em ordem crescente de indecência). Mas conforme fui passando mais tempo na cidade, principalmente agora durante essa minha segunda passagem, fui notando que essa é uma concepção totalmente errada dos efeitos que Viçosa causa em seus moradores. Apelidos como “Viciosa”,“cidade-perereca”, “templo da perdição”, “capital mineira da puuuuu” e frases como “quando você chega em Viçosa o amor vai embora”, “a cervejada é mais forte que o sentimento” ou “quem ama não vai na Bartucada” realmente não condizem com a realidade. (ok, provavelmente essa sobre a Bartucada é mesmo verdade…). Viçosa, numa análise mais fria, está muito mais pra Paris do que pra Sodoma, muito mais pra “Sintonia de Amor” do que “Monella, a Travessa” e bem mais pra Tarcísio e Glória do que pra Alenxadre Frota e Márcia Imperator: em suma, Viçosa é uma cidade que te faz querer namorar.

Eu sei, eu sei, isso pode parecer esquisito diante de tantas festas, tanta pegação e coisas do tipo, mas se você tem algum amigo, conhecido ou parente que já tenha morado em Viçosa, com certeza ele namorou enquanto esteve aqui. Claro, curtiu alguns meses de festas, bebeu até cair, acordou no chão de uma república desconhecida (possivelmente até mesmo a República Democrática do Congo, se ele tivesse passaporte), mas isso foi apenas uma fase. Depois ele se acalmou, conheceu alguém e começou a namorar, com 90% de certeza. E se não namorou, ele pelo menos tentou com um relevante nível de afinco.

Mas por que isso? Bem, Viçosa é uma cidade universitária, ou seja, são milhares de jovens longe de suas famílias, a deixa perfeita para atitudes irresponsáveis e insanas, ainda mais num lugar onde acontecem festas durante todos os dias da semana, isso quando você não emenda duas festas no mesmo dia. Mas para a maior parte da humanidade, por maior que seja o ânimo para beber, zoar, passar noites em claro e ser detido pela polícia tentando roubar placas de trânsito, uma hora isso acaba causando um grave nível de estafa física e mental. (fora que costuma sair meio caro, ainda mais no caso da fiança por roubo de placa.) E o que te sobra para fazer quando você se cansa de festas e mora numa cidade cujo maior ponto turístico é um corrimão gigante*? Bem, aí surge o namoro.

Namorar se torna então uma opção econômica, social e emocionalmente viável: você passa a gastar menos com festas, bebidas e advogados e ainda ganha alguém pra fazer companhia, suprindo a família que está distante, o cachorro que ficou em casa e o playstation que seu irmão não te deixou trazer. E isso acaba valendo pra todo mundo, desde as pessoas mais românticas até as mais frias e calculistas, desde os solteirões inveterados até as garotas que já chegam em Viçosa namorando, todo mundo acaba achando alguém. Exemplo maior disso é a chegada dos ônibus de viagem na cidade, momento em que sempre se formam pelo menos 5 casais se abraçando e chorando diante da chegada do veículo. E aposto contigo, Viçosa é uma cidade tão romântica que pelo menos metade dos casais se formou naquela hora mesmo: a pessoa estava passando pela rodoviária, viu um ônibus chegando e se apaixonou à primeira vista pela passageira da poltrona 37, sendo que já carregou as malas pra ela e saíram de lá namorando. Romance é isso, criançada.

Mas antes que alguém pergunte: não, não estou namorando. E não, não vou namorar num futuro próximo, nem mesmo se minha vaga na Petrobras depender disso. Ok, ok, ok, se a minha vaga depender disso eu namoro, mas me recuso a ser apresentado aos pais.

*Alguém consegue pensar numa outra forma de descrever o balaústre?

12 Comentários

Arquivado em Mundo (Su)Real