Arquivo da tag: Vida Pessoal

Os 378 hábitos das pessoas extremamente irritantes – #19: Indiretas em voz alta

Aconteceu duas vezes só essa semana. Na primeira eu estava sentado num bar, com uns amigos, vendo o jogo do Botafogo e descobri que, por alguma razão neurológica que eu possivelmente nunca vou conseguir explicar, eu acho Seedorf uma palavra muito bacana pra se gritar.  “Seeeeedorf”. Ele pegava na bola eu gritava “Seeeedorf”, ele chutava e eu gritava “Seeedoorf”, ele era substituído e eu gritava “Seeeedorf”, o Elkeson errava um chute eu gritava “Seeedorf…não teria perdido esse, mas o Elkeson na frente é foda, o que fazer?”. E após um certo tempo de “Seeeedorf” e da minha empolgação com o nome “Seeeedorf” ser anabolizada pela ingestão de cerveja, comecei a notar uma senhora na mesa ao lado dizendo, num volume tão alto quanto os meus “Seeeeedorf”, que “algumas pessoas não se tocavam”, “tem gente que adora ser inconveniente”, “as pessoas precisam aprender a ver futebol sem gritar”, tudo isso sem em nenhum instante se dirigir a mim, mas sempre usando um tom de voz muito mais alto do que o necessário para se comunicar com seu interlocutor no banco ao lado.

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Sobre primeiros beijos, saltos de fé e todo esse medo de portfólios, originais e empregos novos

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Uma teoria que eu sempre tive é a de que em nenhum momento, independente de qual seja, o tempo se move tão lentamente quanto naqueles momentos antes de um primeiro beijo. Sim, os poucos segundos, logo antes dos lábios se encontrarem, em que você já moveu o corpo, olhou diretamente nos olhos, e começou a aproximar o seu rosto do dela, manifestando claramente suas intenções, deixando de lado qualquer resquício de fingimento e abandonando de vez aquela farsa de que vocês efetivamente saiam do trabalho todo dia no mesmo horário ou magicamente entravam no gtalk na mesma hora quando estava óbvio que você ficou mais de vinte minutos passando frio do lado de fora daquele prédio e estava offline jogando marvel ultimate alliance o tempo todo.

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Minhas mais sinceras desculpas

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Um problema que eu tenho é que eu peço desculpas demais. Não sei bem explicar quando começou, não sei se tem a ver com questões de autoestima, se é um tique nervoso ou se eu apenas tenho o mais estranho caso de tourette reverso que a medicina já registrou – “então eu estava lá…ME DESCULPE…conversando com ela e…MIL PERDÕES GENTIL SENHORA…sobre o calor que estava fazendo…EU ASSUMO TODA A RESPONSABILIDADE…” – mas a verdade é que eu, desde a adolescência, peço desculpas com uma freqüência bem mais alta do que a do resto das pessoas.

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Medidas pessoais preventivas para uma vida mais saudável #17 e #18

#17 – Sempre que, numa conversa com uma garota de quem você não está afim, essa garota mencionar o fato de que tem namorado você é obrigado a, tendo ou não interesse, assunto ou tempo para isso, conversar com ela por pelo menos mais dez minutos para que ela não pense que você estava interessado e subitamente desistiu diante do fato de que ela é comprometida.

Sim, isso pode tornar você refém de conversas bizarras, assustadoras ou apenas sem sentido – “então, eu preciso ir, mas foi legal conversar e tudo mais” – “ah, você não quer ver mais fotos dos meus gatos? essa aqui é com o meu namorado também e…” – “…ok…eu vou ficar, me mostra mais algumas. mas dessa vez escolhe as que tem os gatos mais gordinhos pelo menos” – mas evita mal-entendidos e te poupa de situações esquisitas nas quais você mal lembra de uma pessoa mas ela tem certeza que partiu seu coração, toma todas as suas atitudes como indiretas e fala com a galera da copa que você bebe esses seis copos diários de água porque está “tentando esquecer”. Continuar lendo

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Novas diretrizes em tempos de paz #3

Como qualquer um de vocês pode notar, o blog vem passando por uma fase meio caótica. Entre longos hiatos, atualizações esporádicas, posts confusos e textos que se lidos ao contrário podem possivelmente conter mensagens satânicas, fica cada vez mais claro o final da era de ouro do Just Wrapped, com o total abandono da intenção de ser uma espécie de Tom Hanks da internet brasileira – regular, consistente, simpático, dançando em cima de teclados gigantes ao som de jingles de iogurte tipo petit suisse – e a adoção de uma postura claramente mais Lindsay Lohan para blogar – inconstante, loucão, possivelmente abusando de certas substâncias e namorando com garotas que tem experiência como dj. Continuar lendo

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Sobre o apê novo, o espírito das casas e aquela epifania envolvendo a melancia

Uma das coisas que a gente só consegue perceber quando chega numa certa idade é que boa parte do processo de crescer e envelhecer consiste em deixar de lado uma certa visão mágica e emocional do mundo em prol de uma abordagem mais racional e técnica de como as coisas funcionam. Presentes não são dados por um velho mitológico de barba de acordo com o nosso comportamento e sim pelos nossos pais de acordo com os rumos da economia, ovos de páscoa não são produzidos e escondidos por coelhos felpudos e sim disputados a tapa num estande das lojas americanas, bebês não são entregues por aves engraçadas e sim produzidos numa complexa atividade física entre humanos na qual sua mãe, após o divórcio, fez questão de ressaltar numa reunião de família que seu pai nunca foi tão bom assim.

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3 grandes vitórias pessoais do ano de 2011

Ser pago pra escrever – Uma sensação que eu sempre imaginei que deve estar entre as melhores do mundo é a de ser pago pra fazer aquilo que você ama. Não aquilo que você suporta, não aquilo que você tolera, não aquilo que você faz pela grana, não aquilo que você acha que pode agüentar durante vários anos se beber bastante e for tentando se motivar com atividades paralelas e apostas pessoais como “vou levar pra reunião esse projeto visual que envolve gatos halterofilistas como imagem de fundo para os comunicados de reestruturação corporativa, só pra ver o que rola”. E depois de ter, durante esse ano, pego alguns frilas que me permitiram ser pago pra escrever em outros lugares basicamente o mesmo tipo de coisa que eu escrevo aqui, eu posso dizer sem medo que a sensação é ainda melhor do que eu esperava.   Continuar lendo

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Quando pequeno a gente sempre imagina como vai ser quando crescer. Pensa em como vai ficar, se vamos ser altos, se vamos continuar gordinhos, se vamos melhorar com as garotas, se vamos poder ter um cachorro, se vamos dormir depois das 22:00, se vamos parar de ter pesadelos depois de ver filmes de terror. Se vamos crescer pra ser astronautas, se vamos conseguir morar na beira da praia, se vamos continuar jogando futebol todo dia, se vamos ter os mesmos amigos, se a gagueira vai passar,se vamos poder beber mais de um yakult por vez. E projetamos coisas, e estipulamos algumas metas infantis, alguns objetivos de criança, e ficamos imaginando que é assim que a vida adulta deveria ser, dentro da nossa visão de garotinhos do que a vida adulta é e de como um adulto deve se comportar. Continuar lendo

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5 status pós-termino de relacionamento

Amizade fraterna: E vocês terminaram. Não por conta de brigas, não por conta de problemas, não por conta de algum conflito impossível de solucionar, mas sim porque gradualmente os caminhos que antes se cruzavam viraram retas paralelas e vocês concluíram que, ao menos romanticamente, nunca mais iam se encontrar. Do tempo juntos ficou o carinho, ficou a intimidade, ficou uma certa sintonia e todo aquele conhecimento que um tinha sobre o outro. Você sabe que pode contar com ela quando fica chateado, ela sabe que pode contar com você quando fica triste, e vocês sabem que o amor que um dia sentiram não sumiu, apenas se transformou num sentimento bem menos físico e muito mais próximo da amizade. Ou ao menos é isso que vocês sempre explicam quando todo mundo vem dizer que é óbvio que vocês ainda tão transando e esse papinho de amizade e retas paralelas só pode ser sacanagem, na boa.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XXI

Uma coisa que eu ouço com bastante freqüência é que hoje em dia as pessoas terminam com muita facilidade. Ao que parece existe um consenso de que muita gente termina por qualquer motivo, que a galera não tem maturidade pra sobreviver aos solavancos de um relacionamento adulto e que grande parte de nós não passa de crianças mimadas que não conseguem aceitar a idéia de ser contrariadas e decidem que o melhor é cair fora. E ainda que eu realmente fique sempre impressionado com o ritmo frenético de início e término de relacionamento de várias pessoas e sempre me pergunte como alguém consegue, em apenas dois anos, ter três namoros, dois casamentos e quatro divórcios – ainda mais porque os números não batem, repare – eu sempre desconfiei que o “problema” não é que as pessoas sempre terminam por nada. É que elas algumas vezes começam por muito pouca coisa.

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