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Por uma curta categorização das amizades e derivados com os quais a gente meio que não sabe lidar direito

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a garota de quem você ficou amigo com a intenção de “pegar” mas acabou nunca “pegando” e agora tem namorada e não vai mais “pegar” – no começo era tudo físico. o bar era lotado, era amiga do amigo de uma amiga, os olhares se encontraram, aquela troca de palavras que fingia simpatia e interesses em comum mas era na verdade apenas a versão conversinha da introdução instrumental de uma música do r. kelly. um precisou sair mais cedo, o outro disse pra procurar no facebook. se adicionaram, trocaram uma ou outra mensagem, agendas não batiam, datas nunca coincidiram e no meio dessa adorável confusão você conheceu sua namorada. bang. interesses repensados, atenção total e completamente redirecionada e nos últimos anos você apenas não deletou a menina no facebook e no twitter por um certo senso de culpa e uma ideia de que seria meio canalha descartar uma pessoa apenas porque não tem mais intenção de fazer sexo com ela. nesse instante ela está postando um texto sobre como votar 0000 nas eleições vai obrigar o brasil a voltar pra monarquia e você está se perguntando como tem gente que reclama da monogamia.

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Gonna find my baby, gonna hold her tight, gonna grab some afternoon delight

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Nesta semana que passou não tivemos texto novo por aqui mas em compensação discutimos a obrigatoriedade dos “relacionamentos sérios” no Papo de Homem, o uso de palavrões e do constrangimento como ferramentas de humor no Sobre Comédia e também o ódio do Alan Moore pelos super-heróis no Danger!. Clique nos links para prestigiar os assuntos mas não deixe de ler os comentários, fui xingado de algumas coisas bem criativas essa semana e acho que em breve alguém vai superar o dia em que um cara disse que eu “colocava a vagina num pedestal” e eu senti como é viver na vida real uma cena do filme “O virgem de 40 anos”.

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Não culpe a internet por não falar mais com a sua tia

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Depois de passarmos um bom tempo defendendo que a tecnologia iria resolver todos os nossos problemas – “viagens espaciais, vida eterna, queijo em spay!”- a tendência mais recente é falar que a informatização, os celulares e a internet são os grandes culpados por tudo. Nossos jovens são violentos por causa dos videogames, nossas famílias são distantes por causa dos celulares, nossos relacionamentos estão em frangalhos por conta dos computadores.

E de todas essas teorias vagamente apocalípticas, uma das que mais me intrigou sempre foi a ideia de que a evolução dos meios de comunicação e o desenvolvimento da internet estariam servindo para nos afastar das pessoas. Por causa do facebook não fazemos amizades, por causa do skype não saímos mais, por causa do twitter não conversamos de verdade, por causa do orkut gastamos nosso dinheiro com moedas para o jogo da fazendinha. E essa teoria sempre me fascinou porque, se você pensar bem, ela obviamente não passa de uma desculpa esfarrapada.

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Item #77 do guia de bolso dos pequenos desconfortos conversacionais

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O sol já se pôs, a lua caminha inexorável pelo céu e você, diante da sua mesa de trabalho, está concluindo projetos atrasados, dando retoques em projetos atuais, preparando para o dia seguinte projetos vindouros. No fone de ouvido apenas músicas que te propiciam a maior e mais intensa imersão no universo burocrático do seu trabalho – acústico art popular – e a intenção de aproveitar as horas em que o escritório está absolutamente vazio para se dedicar de corpo e alma às suas demandas profissionais.

Mas o escritório não está absolutamente vazio, é claro. Enquanto Leandro Lehart entoa seu ôôaa ôôaa você ouve um som que lembra uma voz humana tentando romper a barreira idealmente intransponível representada pelos seus fones de ouvido de tamanho propositalmente grande e cores deliberadamente berrantes. No começo você ignora, mas o volume da manifestação externa vai apenas crescendo até chegar a um ponto em que você considera que pode ser adequado ao menos descobrir de onde vem o ruído.

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Publieditorial #73: As novas mídias estão mortas, viva as antigas mídias

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Acredito que uma das grandes lições que eu aprendi nessa vida sobre o valor e relatividade da fama na internet aconteceu quando eu disse pro meu irmão que meu blog tinha conseguido dez mil acessos num dia, ele me perguntou o que isso queria dizer, eu disse que queria dizer muita gente e ele me perguntou “mas vai conseguir transar por causa disso?”. Nesse dia eu não apenas aprendi muito sobre o mundo online quanto também sobre o mundo offline, além de ter aceitado o fato de que não, eu não ia conseguir transar por causa daquilo. E dez mil acessos não são isso tudo também.

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Quadros que venho desenvolvendo para Paulo Silvino na próxima temporada do Zorra Total #1 e #2

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#Esse quadro começaria com o personagem de Paulo Silvino, um homem cuja aparência é a do Paulo Silvino e o jeito de andar e falar nos recordam muito o Paulo Silvino, ainda que não se chame Paulo Silvino, entrando em um prostíbulo em Manaus, repleto daquelas garotas seminuas que atuam como figurantes no programa, usando trajes mínimos. Chegando lá ele tentaria abordar as garotas de programa com papinhos do tipo “oi gatinha, quer subir com o papai” ou “o que eu preciso fazer pra dar um beijinho nessa boquinha linda” sendo sempre rechaçado com demonstrações extremas de sinceridade como “não quero, seu velho feio” ou “só nascendo de novo, tio”, que deixariam ele confuso e aturdido. Também teríamos interlúdios com outros clientes do bordel nos quais eles fariam perguntas retóricas que as prostitutas responderiam de forma sincera (“e aí, tá gostando do papaizão aqui?” – “não, estou nessa apenas pelo dinheiro”), momentos esses que seriam usados para piadas tópicas envolvendo política, futebol ou novelas da globo (“mas Moreira, sabe porque esse país não vai pra frente?” – antes que o Moreira responda uma das prostitutas dá uma declaração sobre como isso é culpa das altas taxas de juros praticadas pelo infeliz governo Dilma). O quadro terminaria com Paulo, chocado diante de tamanha sinceridade, olhando para a câmera e dizendo desconsolado “mas essa zona tá franca demais!” e uma música do tipo “CUEN CUEN CUEN” tocando ao fundo.

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Dos robinhos da maldade, dos denílsons da babaquice

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Por mais que nós tenhamos consciência de como o mundo é duro, a realidade é complexa e nem sempre aqueles ideais de amizade, harmonia e um coleguinha emprestando o giz de cera pro outro, que aprendemos em casa e na escola, conseguem ser diretamente aplicados por todos na vida real, é sempre um certo choque quando somos obrigados a aceitar que alguma pessoa, seja ela próxima ou distante, está agindo de forma deliberada visando nos prejudicar. Afinal, na nossa narrativa pessoal nós somos os protagonistas, na nossa visão de mundo nós somos os mocinhos, no star wars de cada um somos todos Luke Skywalker e ninguém quer ser Darth Vader (ainda que eu pessoalmente ache mais bacana ser o Lando por que nada supera o combo capa e bigode).

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Isso é o que está acontecendo na minha vida agora

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Essa terça-feira, eu estava no trabalho. Um pouco cansado, um bocado chateado, meu dia estava sendo ruim. Aí o telefone tocou.

“Alô, boa tarde”

“Boa tarde, tô falando com o João?”

“Sim, é o João. Em que eu posso ajudar?”

“Aqui é o Joaquim, do projeto. Tá sabendo da reunião?”

“Opa. Que reunião? Que projeto?”

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Colegas que não ajudam o seu trabalho #23, #24 e #25

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O cagão – Extremamente cioso da própria posição profissional, esse colega apresenta um estado constante de total e completa paranóia em relação a sua manutenção no emprego. Ele tem medo de contrariar o gerente, receio de discutir com o coordenador, pavor de contradizer o supervisor, não gosta de se envolver em argumentos com colegas de trabalho, evita questionar pessoas da outra gerência e uma vez foi visto trazendo um café para o estagiário porque ele parecia meio chateado e nunca se sabe que contatos aquele garoto pode ter. Incapaz de negar uma solicitação, questionar uma ordem ou apenas avisar que montar a árvore de natal da gerência não é exatamente trabalho de designer, a tendência natural desse profissional é sempre a de acumular demandas sem sentido, se perder em tsunamis de retrabalho e ficar até as 20:00 no escritório revisando o convite pra festa de 15 anos da tartaruga de um gerente que pediu com muita insistência. Ainda que visto como um perigo apenas para si mesmo, ele quase sempre arrasta em sua paranóia seus colegas de setor, que acabam envolvidos nas suas atividades e passam muita raiva, principalmente por sempre terem sido péssimos montando essas árvores de plástico. Aqueles encaixes apenas não fazem sentido pra mim, sério.

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2013 e a pequena morte das grandes resoluções

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De todas as promessas de ano novo que fiz envolvendo os aspectos mais diversos da minha vida, desde dar mais atenção para as pessoas até parar de culpar a tim quando não quiser atender ligações, passando por não usar minha mãe ou minha namorada como pretexto para não participar de eventos e nunca mais mencionar religiões que eu não sigo como desculpa para não provar comidas, uma das que eu concluí que precisava levar mais a sério era a de tentar olhar o mundo com menos hostilidade.

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